Caído em Batalha

Surpreendido, sinto somente um golpe surdo no peito, um ruído oco. Os elos da malha se partem. Não há dor ou desconforto, somente a sensação de incômodo, uma farpa presa no peito.
Avanço decidido, fazendo a espada descer sobre o pescoço do oponente a minha frente em meu próximo passo. O seguinte já não se torna tão fácil quando a garganta seca repentinamente e a respiração não me traz o desejado oxigênio consigo, mas sim uma sensação de agonia e sufocamento.
Então eu sinto a dor, talvez retardada pela fúria da batalha, talvez por algum artifício do destino cruel. Ela força-me o peito, impedindo a respiração, enchendo meu pulmão de meu próprio sangue. As pernas fraquejam, o próximo passo não chega a findar-se. Ajoelho-me, apoiado na espada como a uma bengala.
Apoio-me totalmente em minha vontade e forço-me a erguer-me na força de meus braços. O gosto férrico e amargo sobe até minha boca, ardendo como fogo enquanto o sangue escapa-me entre os dentes. Minha força se esvai totalmente.
As pernas tremem enquanto, tentando respirar, começo a ter espamos. A visão se torna turva e escurece. O único odor que ainda distinguo é o de sangue que exala de meu próprio interior. Sinto o solo sob mim.
Mas não termina aí, não enquanto convulsionando, meu pulmão busca ainda o ar até que se sufoque totalmente em sangue. Não há o frio da morte, não a consciência ou a lucidez de um golpe fatal. Desesperado, meus gritos se abafam em minha própria garganta, enquanto morro afogado em meio à batalha.


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