O Corvo

Corvo,
criatura cruel e blasfema,
arauto e servo da morte.Como podes tu, pequeno ser
profanar o sacro refúgio dos mortos?
Para ti o campo de batalha
nada mais do é que um banquete,
e os corpos caídos daqueles que
tão valorosamente lutaram
são somente pratos refinados
num festim perverso e cruel.
Perverso necromante,
tu que te alimentas da carne dos virtuosos,
que bebes do sangue dos mártires,
que respira o ar dos condenados.
Mas não é disto que vives,
não… buscas tão prontamente
os olhos, pequenas e deliciosas iguarias
as quais não conheces sabor comparável,
e sorve-as plenamente,
tal qual vampiro ao beber do sangue da virgem,
pois para ti os olhos são mais que alimento
pois guardam, nas profundezas da retina,
o presságio derradeiro, a última visão.
Tu, pássaro maldito, bem eu o sei…
buscas com fome os campos de batalha,
com fome sádica do terror e da angústia,
alimentas-te da agonia oculta
sob os olhos que não mais vêem.
Amaldiçoado sejas tu,
por profanares o silêncio dos mortos
com teus guinchos de satisfação.


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