Musa

A pena percorre o branca
sem destino, sem inpiração
mas ao invés da tinta
vejo meu sangue esvaindo-se
e tudo se torna negro.
Sinto frio.

Sem o calor dos teus lábios
os meus se ressecam,
longe do afago dos teus abraços
meu corpo se retrai
e sinto-me enfraquecer.

Me concentro no branco,
tento me ater às palavras
às rimas, aos adjetivos
mas nada disso faz sentido
sem tua presença.

A visão embaça, tonteio,
pressão sanguínea caindo.
Molho mais uma vez a pena
em meu próprio peito.
Dói.

Visão turva, corpo congelado,
vejo o sangue manchando o branco
apagando meu último poema
aquele que escrevi
somente para você.


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