Vi um poeta

Ontem eu vi um poeta no ponto de ônibus. Um poeta, vejam só.
Tinha lá seus vinte e poucos anos, de calça rasgada e all star. Não parecia um poeta, de maneira alguma.
Longos cabelos castanhos e camiseta de banda de rock. Era um revoltado, destes jovens inconformados que encontramos por aí quebrando vidraças. Um poeta?
Parecia mais um poeta aos seus doze ou treze anos, de cabelo bem cortado, de maneiras respeitadoras e cheio dos “por favores” e “obrigados”. Não era um poeta.
Naquela época não usava óculos. Estes não trouxeram uma aparência intelectual, pois vieram junto com uma grande mudança de atitude. Com certeza não era um poeta.
Mas estava lá, apoiado no ponto de ônibus, onde ventava muito, tentando aquecer-se junto ao seu livro de contos. Onde estava o poeta?
Mas quando ergueu os olhos, pude vislumbrar dentro deles o brilho da fantasia, a faísca da imaginação luzindo. E seus sentimentos eram como uma fogueira que queimava alta e forte. Um poeta, eu vi um poeta.


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