Um novo dia

Naquele dia acordei morto. Não sei explicar como nem porque, mas acordei. Morto.
O teto era branco e sem manchas onde acordei. Da última vez que fechara os olhos via somente as torres imensas contra o céu sem estrelas. Mas agora, só branco.
Ergi-me com força e ouvi a cama ranger contra o piso de cerâmica. A sala era toda branca. E não havia nada além da cama, se era realmente uma sala.
Meu corpo inteiro formigando. Mas eu estava morto, podia me lembrar muito bem disto. Era a única coisa de que tinha certeza.
Minha língua tocou o céu da boca, áspera. Não havia saliva e mal pude sentir o gosto de minha própria carne, na verdade não podia.
Pus a mão frente aos olhos, e ela estava ali, não transparente ou translúcida, estava ali, concreta e real. Podia sentí-la tocando minha outra mão. Mas ao contrário, o que havia sumido era a cicatriz em meu dedo. Não estava mais ali. Ele estava liso como quando eu nasci.
Será que estava no céu? Devo ter morrido e ido parar na sala de espera do céu. Algo estalou na minha mente, como um trovão. Tonteei e pude ouvir a voz dentro da minha cabeça: você morreu. Meu espírito despertava.
E meu corpo ainda formigava quando ouvi a porta. Alguém abria a porta


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