Num reino muito, muito distante…

O cavaleiro avançava resoluto, galopando velozmente sobre os prados. A sua frente surgiu um lanceiro vestindo as cores inimigas. Impetuosamente o cavaleiro se atirou sobre ele com a lança em justa, certo de que, como outros tantos que já enfrentara, este cairia frente a seu golpe poderoso.
Mas o verdadeiro golpe foi desferido pelo flanco, de um arqueiro oculto nos bosques que acertou o cavaleiro entre as costelas. A flecha não conseguiu penetrar a malha, mas provocou um latejar intenso e abrupto, que jogou o cavaleiro ao chão. Suas costas chocaram-se contra o solo com violência e a dor aumentara.
Logo aproximaram-se um trio de lanceiros que violentamente o golpeavam com achas de armas. A couraça forjada durante eras resistia bravamente, entortando a ponta das armas. Ainda assim, os golpes desferidos feriam o cavaleiro por sob a malha, provocando contusões e pequenos cortes.
Com dificuldade ergueu-se acima de seus oponentes, sustentando a espada um tanto desajeitadamente. Ouviu-se então um uivo distante, fraco e lamentoso que chegou aos ouvidos do cavaleiro como uma súplica. Ele ainda recordava, milhas distante sob a floresta, ele acorrentara um lobo. Jazia preso e enclausurado pela vontade do cavaleiro, e agora exigia sua libertação.
Ignorando-o, o cavaleiro firmou-se sobre os dois pés e desferiu um golpe violento contra as formas borradas a sua frente. Seu estômago latejava e em sua cabeça tudo estava confuso, distorcido. Ainda assim ele não queria libertar a força selvagem do lobo que uivava instigando-o.
Outro golpe acertou-o no flanco, forçando-o a recuar um passo. Sequer podia ver seus atacantes. Não importa quantos seriam, ele precisava vencê-los sem o auxílio do monstro. Mas neste momento o cavaleiro se pergunta se é possível.
E o lobo permanece uivando “liberta-me”.


Deixar uma Resposta