Ela

Então estava ela, no meio da pista. Seu corpo rodopiava e deslizava, coberto por vários pontinhos de luz branca que também se moviam frenéticos, subindo e descendo as curvas delgadas do seu corpo. A escuridão se formava em volta, ocultando opressora seus movimentos lânguidos.

O vestido girava acompanhando os movimentos, como a seguir-lhe o corpo esbelto, acariciando-o. Era negro, mas semi-transparente e, a não ser por uma saia curtíssima e um corpete negro que vestia por debaixo, o vestido mostrava mais do que escondia. Os ombros estavam nus, assim como o colo e a face, que constrastavam alvos, contra o negrume da vestimenta e o sombrio sedoso de seus cabelos. Cabelos estes que não eram curtos tampouco compridos, mas caiam teimosos sobre rosto.

Parou de se mover, dançando num ponto fixo. Ajeitou uma mecha que caía-lhe sobre os olhos e esta logo voltou sorrateira a seu lugar. Seus olhos grandes e azulados eram fixos em mim e seus lábios rubros se desprenderam por um instante. Cada movimento parecia único, enquanto dançava.

E assim dançando caminhou até mim. Me levantei rápido e com uma única mão ela empurrou-me, forçando-me contra a parede. Escostou-se em mim e percorria meu rosto com seus dedos gélidos. Hipnotizado em seus olhos, perdido e deslocado, nem sequer atentei a isto. Aproximou os lábios de meus ouvidos e sussurrou-me:
– Meu nome é Morte. E esta noite sou tua.


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