ago 12 2003

Rebanhos de Caeiro

Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse

Orpheu surpreendeu, bem mais que a peça argentina. Fernando Pessoa era um louco e tanto.
O Menino do Dedo Verde eu já havia visto, mas repeti para acompanhar o pessoal. É sempre muito engraçado.

Conheci uma garota demais, totalmente meiga e nem um pouquinho tímida. Ela gosta de declamar, vejam só.
Corri para casa com os olhos voltados para o alto… as estrelas roddopiavam em minha frente mas a lua me instigava, acordando o lobo em mim… ele quer arrebentar as correntes e fugir, talvez se vingar. E eu não posso fazer muito para impedir.

A noite trouxe o frio, e o frio veio trazer prazer, e o prazer é doloroso, impulsiona o sangue, que me desperta a fúria, a fúria ao ver a lua alta contra o céu estrelado, estrelas que vieram com a noite. A noite trouxe o frio…

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ago 11 2003

Notícias de longa data

O final de semana salvou os meus medos da semana que se passou. Claro que muitas das coisas ainda me incomodam: faculdade, dinheiro, saúde, amigos… amores.
Nada mais de promessas.
- Se ela morrer no fim, eu te mato!

Ontem iniciou-se a Mostra de teatro. A primeira performance “El Dragón y su Furia”, a despeito do nome, é uma peça um tanto filosófica. Um homem e uma mulher, discursando sobre a evolução humana e do intelecto. Não me agradou tanto como peça em si, mas posso ressaltar a expressividade dos atores, principalente nos momentos mais encalorados da discussão. Arrancou risos da platéia. Risos? Mas não era para ser sério? Creio que o excesso de expressividade e os textos castelianos pareceram cômicos, mas não se enganem… a peça é séria; mas não dramática.
Hoje tem Orpheu e O Menino do Dedo Verde.

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ago 8 2003

Você tem que me fazer um juramento

Não gosto de promessas… não gosto da esperança, da esperança vã que pode destruir um bom sentimento. Não quero esperar que as promessas se cumpram.
Eu nunca prometo. Ou pretendo não prometer. O mundo pode impedir que se possa realizar e isso vai fazer alguém sofrer.
Mas eu exigi a promessa… eu pedi por ela. Não deveria.
Não vou esperar que se cumpra. Se tiver de ser… que aconteça somente por acontecer.
Mas não vou cobrar… não quero ser uma lâmina para você.

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ago 5 2003

Espero que…

o céu pare de cair

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ago 5 2003

Num reino muito, muito distante…

O cavaleiro avançava resoluto, galopando velozmente sobre os prados. A sua frente surgiu um lanceiro vestindo as cores inimigas. Impetuosamente o cavaleiro se atirou sobre ele com a lança em justa, certo de que, como outros tantos que já enfrentara, este cairia frente a seu golpe poderoso.
Mas o verdadeiro golpe foi desferido pelo flanco, de um arqueiro oculto nos bosques que acertou o cavaleiro entre as costelas. A flecha não conseguiu penetrar a malha, mas provocou um latejar intenso e abrupto, que jogou o cavaleiro ao chão. Suas costas chocaram-se contra o solo com violência e a dor aumentara.
Logo aproximaram-se um trio de lanceiros que violentamente o golpeavam com achas de armas. A couraça forjada durante eras resistia bravamente, entortando a ponta das armas. Ainda assim, os golpes desferidos feriam o cavaleiro por sob a malha, provocando contusões e pequenos cortes.
Com dificuldade ergueu-se acima de seus oponentes, sustentando a espada um tanto desajeitadamente. Ouviu-se então um uivo distante, fraco e lamentoso que chegou aos ouvidos do cavaleiro como uma súplica. Ele ainda recordava, milhas distante sob a floresta, ele acorrentara um lobo. Jazia preso e enclausurado pela vontade do cavaleiro, e agora exigia sua libertação.
Ignorando-o, o cavaleiro firmou-se sobre os dois pés e desferiu um golpe violento contra as formas borradas a sua frente. Seu estômago latejava e em sua cabeça tudo estava confuso, distorcido. Ainda assim ele não queria libertar a força selvagem do lobo que uivava instigando-o.
Outro golpe acertou-o no flanco, forçando-o a recuar um passo. Sequer podia ver seus atacantes. Não importa quantos seriam, ele precisava vencê-los sem o auxílio do monstro. Mas neste momento o cavaleiro se pergunta se é possível.
E o lobo permanece uivando “liberta-me”.