Tempo de Mártires

O vento soprava entre as árvores retorcidas de Thornwoods, erguendos as folhas secas que o outono deixara. As árvores pareciam chorar ante os golpes da ar, estalando e contorcendo seus galhos. Tudo ao alcance da vista era pardo e amarelado, a não ser pelas duas figuras montadas no centro de uma clareira.
De um lado, a silhueta imponente e estática de um cavaleiro real. Ele e seu holsteiner estão quase totalmente cobertos por placas de metal escuro, e portam as cores da guarda real em suas vestes e escudo. Os olhos verdes brilham inquisitores entre as fendas do elmo de Mikal.
No extremo oposto, Honus, bem mais humilde, tenta controlar sua montaria, tão impaciente quanto ele próprio. Traja uma capa de couro curtido e tem os cabelos negros sobre os olhos.
Ambos possuem suas espadas desmbainhadas brilhando, entre pequenos pontos de luz solar que foge a cobertura espessa das folhas dos carvalhos e olmos que os rodeiam. Eles hesitam por um momento, inertes.
E então disparam rapidamente, os cascos batendo com força contra o solo, erguendo nuvens de poeira que brincam no ar, tomando as mais variadas formas. As montarias se cruzam num breve momento, e o choque das espadas provoca um som metálico alto e grave.
Mikal avança alguns metros ainda, com o estômago latejando. Honus obviamente havia tentado golpeá-lo entre as placas da armadura e falhou, mas o golpe foi preciso o suficiente para chocar as placas contra as outras, e contra seu ventre. Sua espada, ao contrário, está coberta pelo sangue do oponente.


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