Os últimos instantes de um Guardião

A casa de campo não suportaria o ataque por muito mais tempo. Não era uma fortaleza e, apesar das paredes de pedra e alicerces sólidos, as portas e janelas cederam rapidamente.
Em seu aposento, a rainha Gwenllian dobrava os vestidos, pondo-os cuidadosamente numa grande urna. Havia uma certa tristeza em seus gestos. A guarda real pouco conseguia entender das atitudes da soberana, mas aparentemente não havia muito a ser feito. Winfred e seus dois companheiros eram a última linha de defesa.
Ela parou por um momento em frente a cômoda e ergueu a tampa da caixinha de música. Uma melodia suave e metálica preencheu o aposento, contrastando instensamente com os sons brutais que vinham do andar térreo.
Winfred voltou-se para Duncan, ordenando que ficasse diante da porta. Olhou nos olhos de Earl; ambos sabiam o que devia ser feito.
Saindo do quarto, desmbainharam as espadas e desceram as escadas apressados. Os últimos sentinelas e servos leais estavam sendo subjugados frente a tropa inimiga. Havia sangue espalhado pelo chão e as mesas de jantar haviam sido viradas como barricadas que se mostraram ineficazes.
Uma dúzia de soldados de mantos cinzentos ocupava o salão, e mais uns dois fomoris gigantescos, que por pouco não passaram à porta. Earl e Winfred investiram contra os soldados, derrubando dois deles quase que imediatamente. Um dos fomoris ergueu Earl pelo pescoço, quase separando sua cabeça do corpo. Winfred foi atingido por duas flechas, no peito e na coxa, mas não fraquejou.
Noutro passo, trespassou as defesas de um soldado golpeando-o á altura do pescoço. Mas este golpe foi amplo o suficiente para abrir sua guarda. Um dos soldados correu a seu encontro e perfurou-lhe uma lança entre as costelas. Winfred caiu.
Permaneceu vivo por tempo suficiente para ver o tenente atravessar seu pescoço com a lâmina de sua própria espada que permaneceu erguida, presa entre os degraus da escada.
Sabendo que a rainha estava desprotegida, a tropa seguiu para o andar superior e foi desafiada pela presença sólida de Duncan em meio ao corredor. Havia mais chances de vencê-los assim, um a um. Mas, desafortunadamente Duncan sobreviveu somente a três assaltos e caiu sob a lâmina do machado de um dos soldados.
Havia um sorriso sarcástico nos lábios do comandante quando punha a mão na maçaneta. Dentro do cômodo, a rainha voltava suas costas para a parede, divisando o manto cinzento por detrás da fresta. A melodia suave preenchia o quarto e avançava pelo corredor, melodia que Winfred conhecia muito bem, que sua irmã lhe cantarolava em sua infância.
Sua irmã havia morrido por um descuido seu, um breve momento de medo. Não se podia culpar uma criança por isto. Mas não um adulto… não deixaria que ferissem Gwenllian como fizeram a Annabelle.
Ouviu-se um som rasgado e um grande baque surdo quando o fomori tombou sob o piso de madeira. As próprias vigas da estrutura gemeram com o golpe. A espada de Winfred se ergue em sua mão, coberta em sangue negro.
Outro soldado avançou em sua direção e golpeou-o no peito com o machado. A força do golpe foi tanta que Winfred foi jogado para trás, mas permaneceu de pé. Sequer havia em seu rosto sinal de dor. Com mais um golpe, tombou o portador do machado. Os três homens no corredor ainda olhavam para ele assustados. O sangue vertia-lhe do peito e do pescoço, mas ele sequer cambaleava.


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