Crawling

“Don’t be afraid”, ele diz
ressalta o “r” como se fosse um trinado
um eco que avança pelos meus pensamentos
rompendo, violando as travas

“I’ll never hurt ya!”
Busco por sua voz na escuridão
mas parece vir de todo lugar
a minha volta… dentro de mim

O assoalho estala com o peso
ele se move, se esgueira
malicioso, furtivo e audaz
invisível aos meus olhos

Agarrados a mim eles gritam
todos eles, meus pequeninos sentimentos
tomados pelo medo, em pânico ou paralizados
e eu fraquejo

“Have you ever been alone at night?”
Ele se aproxima a passos leves
Com a certeza de que será vitorioso
sobre a minha vontade

“Have you run your fingers down the wall?”
O ar se torna gélido
os músculos se contraem, as pupilas dilatam
não pode haver fuga ou conforto

“Have you felt your neck skin crawl?”
Choro, lágrimas e tremores,
Suspiros e uma sensação estranha subindo a espinha
abraço a todos os pequenos com força

Mas quem poderia proteger a todos?
O menorzinho se esquiva, se desgarra e foge
ouço seus gritos desesperados
até que um baque surdo silencia sua voz

Não posso mais me conter, aguardar
o maldito medo que me oprime e encurrala
maldito vorme invisível que se move nas trevas
da minh’alma

PS: isto não tem muito a ver com meus últimos dias. Precisava postar esta há algum tempo já, afinal… uma semana para o dia fatídico. Medo? Não desta vez.


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