um Áspero Vinho Tinto

vai precisar de umas revisões no futuro, mas eu gostei.

Apesar de tinto,
o vinho desce seco e áspero.
Não é culpa da embriaguez,
até mesmo porque
nunca ultrapassei os limites.
Sempre cauteloso,
medido, correto…
temeroso.

Meu amigo entorna mais uma taça,
tão rápido quanto saboreio um gole seco.
Ele precisava beber,
afogar as mágoas.
Eu acompanho,
observo, controlo…
me preocupo.

Ponho a taça sobre a mesa,
chocando-me contra a garrafa
que cai e rola,
emborcada junto a lateral da mesa.
Vaza o vinho,
ligeiro como um rio,
suave como o sangue…
dolorido como uma lágrima.

Não apanho a garrafa,
não me apresso por erguê-la,
afinal é só um pouco de vinho
manchando o chão do bar.
Nada que não se resolve
com sabão e água.
Não apanho a garrafa
porque não há motivo para.
Pois enquanto meu amigo
afoga suas mágoas numa taça de vinho
eu sufoco as minhas,
numa noite de melancolia.



Deixar uma Resposta