nov 17 2003

Meu Fenris

O lobo despertou novamente. Rapidamente o percebi quando seu uivo rompeu a noite estrelada. Havia um tom de lamento em seu ganido, e um desejo por sangue. Ouvi o som das correntes sendo forçadas.
Eu tive de aquietá-lo.
Cada vez tem sido mais fácil domá-lo. Creio que aprendi suas manhas com as experiências ruins. Isto não quer dizer que seja menos dolorido.
Ofereci-lhe minha mão e ele aceitou satisfeito. Por enquanto.
Cada dia que ele dorme eu me sinto envelhecer, me sintro fraquejar. Estou me tornando uma casca fria e vazia, uma alma atormentada esquecida num corpo ancestral.
Eu ouço os uivos e desejo soltá-lo, mas não posso. Preferia matá-lo.

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