Guerra e Paz, Terceira Parte, 3

“”sim, foi aqui nesse bosque, havia esse carvalho com o qual eu estava inteiramente de acordo. Mas onde está ele?”, perguntava-se o príncipe Andriei olhando para o lado esquerdo e sem saber, sem reconhecê-lo, admirava o carvalho que tanto procurava. O velho carvalho, inteiramente transfigurado, erguia-se como uma abóboda de verdura escura e luxuriante, quase imóvel, perdendo-se entre os raios de sol poente. Nem mais dedos retorcidos, nem cicatrizes, nem a antiga desconfiança e amargor, nada se percebia nele. Através da velha casca centenária brotavam folhinhas, diretamente sem galhos, tão verdes e brilhantes que era difícil acreditar que tivessem nascido dessa velha árvore. “Mas é o mesmo carvalho”, reconheceu o príncipe Andriei, sentindo-se invadido por um sentimento inexplicável de alegria e rejuvenescimento primaveril. Lembrou-se, repentinamente, dos momentos mais importantes de sua vida: Austerlitz, com um céu alto, o rosto de sua mulher, cheio de reprovação, Pierre sobre a balsa e a garotinha comovida com o esplendor da noite, a própria noite, tudo passou, num relance, por seu espírito.
“Não, a vida não está terminada aos trinta e um anos”, decidiu repentina e definitivamente. “Não basta que apenas eu saiba o que se passa dentro de mim, é preciso que todos saibam. Pierre, como também essa garota que queria voar ao céu. É preciso que todos me conheçam, que eu não viva só para mim, que eles não vivam tão independentes de mim, que minha vida se reflita na deles, que vivam comigo!””

– Liev Nikolaievitch Tolstoi, em Guerra e Paz



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