nov 17 2003

Meu Fenris

O lobo despertou novamente. Rapidamente o percebi quando seu uivo rompeu a noite estrelada. Havia um tom de lamento em seu ganido, e um desejo por sangue. Ouvi o som das correntes sendo forçadas.
Eu tive de aquietá-lo.
Cada vez tem sido mais fácil domá-lo. Creio que aprendi suas manhas com as experiências ruins. Isto não quer dizer que seja menos dolorido.
Ofereci-lhe minha mão e ele aceitou satisfeito. Por enquanto.
Cada dia que ele dorme eu me sinto envelhecer, me sintro fraquejar. Estou me tornando uma casca fria e vazia, uma alma atormentada esquecida num corpo ancestral.
Eu ouço os uivos e desejo soltá-lo, mas não posso. Preferia matá-lo.

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nov 13 2003

Lamento à Queda de um Rei

A grande pira arde,
pelo terceiro dia seguido,
consumindo lentamente
o corpo do velho rei.

Ninguém mais se aproxima,
se junta à pira
para prestar últimas homenagens.

Mas o fogo ainda arde,
de um modo baixo, silencioso
devorando o ouro,
a cerâmica e os ossos.

O aço de sua espada
revela agora seu futuro,
imerso nas águas do grande lago.

E então desaba a tempestade,
as últimas lágrimas dos deuses
em honra ao homem
que ferozmente lutou por seu reino.

E a bandeira parte colina abaixo,
rumo ao novo herdeiro
do reino de Uther Pendragon.

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nov 10 2003

Lavinia (LVNA)

Ela continua lá,
altiva, esplêndida, magnifíca.
Dirige o olhar sedutor a todos
que lhe dedicam um breve elogio
ou uma longa serenata.
Esconde-se por detrás dos véus,
e foge das vistas,
furtiva, lasciva, esquiva.
Ela conhece,
e delicia-se por conhecer,
a sua capacidade de sedução.
Demonstra claramente,
mordendo os lábios,
desviando o olhar,
ou remexendo os longos cachos.
Doce e fria,
dona de uma beleza ímpar,
feiticeira cruel,
que nos prende em seus encantos
dos quais não há libertação.

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nov 10 2003

esclarecendo…

Não estou mudando o meu jeito de agir. Bem, a verdade é que estamos mudando um pouco todos os dias, mas não estou na forja novamente.
Estou arrumando o quarto, mudando algumas de minhas coisas. Jogando algumas no lixo, reciclando outras.
Não esperem um novo layout do Caindo, nem a ausência de prosas e poesias, porque elas ainda estarão aqui… enquanto eu estiver em queda.

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nov 7 2003

Tempo de Mudanças

Estou empolgado com a campanha de RPG de terça (e não só com o jogo!), e com o provável fim da campanha de domingo.
Enviei o Manual da Caçada para o espaço. Estava pensando em reescreve-lo… decentemente. Mas sozinho. Only Me and Mi.
E novos projetos literários.
Comprei a última edição do Love Hina ontem, extremamente empolgado. O final foi muito legal, embora esperado. PS: Cuidado com o spolier acima.
E encontrei a Alicia… cara, fazem mais de dois anos, vocês acreditam? Esperando que ela me responda o e-mail.
Estou um pouco mais contente com tudo, mais ansioso por mudanças… pequenas mudanças que eu quero fazer acontecer. Valeu ao povo que ressussitou esta vontade em mim.

Quer dizer que o véxo vai mudar… e deixar de ser gótico e melancólico?
Nem sonhando!

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nov 5 2003

Bolso Cheio de Estrelas

Dedicado a pessoas muito especiais: a garota-estrela que ilumina minhas noites mais sombrias e o garoto que vive lá… depois da segunda estrela rumo ao pôr-do-sol.

Helena era uma menininha alegre,
de rostinho sardento e olhos bastante vivos;
tinha pouco mais de seis anos,
e era fascinada pelas estrelas.
Seus dias transcorriam entre mimos e traquinagens,
hora desfilando o vestido e os tamancos novos,
hora desenhando uma infinidade de estrelinhas risonhas

que preenchiam de cima abaixo as paredes de seu quarto.
Mas o momento mais esperado era o jantar,
que Helena terminava apressada e,
sem mesmo esperar a sobremesa corria para fora
e deitava-se na calçada em frente à casa,
tapava com a mãozinha o olho esquerdo,
e estendia seu toque ao céu de azul quase negro,
apanhando quantas estrelas coubessem no bolsos
e soltava-as depois pelo quarto,
para brincar com seus sonhos.

inspiração

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nov 4 2003

um Áspero Vinho Tinto

vai precisar de umas revisões no futuro, mas eu gostei.

Apesar de tinto,
o vinho desce seco e áspero.
Não é culpa da embriaguez,
até mesmo porque
nunca ultrapassei os limites.
Sempre cauteloso,
medido, correto…
temeroso.

Meu amigo entorna mais uma taça,
tão rápido quanto saboreio um gole seco.
Ele precisava beber,
afogar as mágoas.
Eu acompanho,
observo, controlo…
me preocupo.

Ponho a taça sobre a mesa,
chocando-me contra a garrafa
que cai e rola,
emborcada junto a lateral da mesa.
Vaza o vinho,
ligeiro como um rio,
suave como o sangue…
dolorido como uma lágrima.

Não apanho a garrafa,
não me apresso por erguê-la,
afinal é só um pouco de vinho
manchando o chão do bar.
Nada que não se resolve
com sabão e água.
Não apanho a garrafa
porque não há motivo para.
Pois enquanto meu amigo
afoga suas mágoas numa taça de vinho
eu sufoco as minhas,
numa noite de melancolia.

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