Eu Escolhi Viver…

Havia uma tonalidade cinzenta nas nuvens acima,
e um vento frio cortava o vale vindo do oeste.
Mas no ar permanecia o cheiro da morte,
o odor do sangue do massacre que viria.

Eu ocupava a terceira linha de lanceiros,
com um grande vanir a meu lado direito
que me cedia a proteção de seu escudo.
O que mais poderia esperar de um campo de batalha?

Então ela se aproximou em silêncio,
com passos mais suaves que a geada que caía
e com a cumplicidade de uma amante
e pousou a mão em meu ombro.

Fitei seus belos olhos castanhos,
com uma súplica para que se afastasse,
mas recebi uma resposta afável
de que ela jamais me deixaria.

Pouco acima na colina percebi,
nosso príncipe regente em sua cota de malha,
resplandescente como as estrelas.
Tinha os olhos fixos na minha amada.

Baixei os olhos para o campo,
para a horda que se enfileirava no horizonte,
com suas lanças, espadas e seus cavalos de guerra
e ainda voltei os olhos para mim.

Havia mais cicatrizes na minha pele
do que os anéis de guerreiro que eu havia forjado.
Minha cota estava gasta e infinitamente remendada
e minha lâmina estava lascada próximo ao cabo.

Olhei para mim, para dentro de minh’alma,
mas percebi seus olhos a me observar,
senti o toque suave de seus dedos em meu peito
e seus cabelos roçando a minha pele.

E a chuva veio, com o grito de guerra na frente oposta,
e eu soube que eram meus últimos momentos,
e mesmo que não fossem… queria que estivesse junto a mim
e mesmo sendo de sua escolha, me culpei por condená-la

Mas eu viveria os últimos instantes,
lutando por ela.



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