O que é isso?
Já não mais sei, apenas sinto o que creio ser a Dor
Uma das mais nobres entre Eles
Luzes de realidade te dizem quem realmente são
Enquanto eu apenas tateio nuances na sombra
Já não sei mais o que dizer
Essas pedras nunca me foram gentis
E os meus tombos sempre inevitáveis
Nos teus olhos sempre houve a notoriedade de quem sabe o que faz
Lágrimas vertidas não indicam o caminho a Eles
Achei que tu eras parte da solução, mais revelaste ser parte do problema…
Talvez,
tenhamos sido cautelosos, contidos demais
e na ânsia de nos protegermos,
limitamos-nos a nos doar pouco
e creio que desta maneira
eu não tenha correspondido
a todo aquele que teu coração almejava…
Agora sofre
da dor que Eles consideram nobre,
… sofro,
por causa das sombras e incertezas
que Eles transpuseram entre nós,
… sofro,
por negar-te uma resposta,
um apoio seguro contra tuas quedas
… e sofro,
por me descobrir incompleto
sem a tua presença.
Olhares às chagas não letargem o apressado definhamente
Meu pesar incauculado já não se comporta em meu peito
Devo abri-lo…
Liberta-lo e libertar a mim mesma
Pulso…
Meu coração palpitante tenta me engana
Mas sei que já não posso continuar aqui, entretanto ele não se importa
Podes tentar me impedir agora, ingrato!
Mas nada poderá me impedir no ápice de minha flagelação
Nada mais pode me separar do meu ultimo desejo
Não ousaria apartá-la de teu objetivo,
ao contrário…
ainda que haja fracassado
e seja culpado de tua queda,
jamais ousaria obstruir teu caminho.
Irei, em contrapartida,
tal qual um cão fiel ou servo calado
acompanhar-te, seguir-te,…
mesmo que me negues ou rejeite.
Pois tenho uma dívida para contigo,
e devo pagá-la,
embora sabendo que isto nunca repararia,
ou mesmo me isentaria da culpa
do meu crime…
Minha doença já não possui cura
À angustia não há mais apartamento
Devo cair calada, violada por minhas próprias manipulações
E nem um murmúrio de arrependimento devo articular
Ponto final.
Decisão tomada, não há maneiras de voltar
Eles…
Me libertarei Deles e de tua fugacidade em meus delírios
Não serei mais perseguida por figuras passadas
Finalmente livre!
Finalmente… só.
Livre enfim, mas jamais só.
Não deixarei que te arremesses ao abismo
sem que eu me jogue atrás,
não deixarei que te atires ao martírio e a dor
sem que eu me lance aos teus pés
não deixarei que adoeças, que te envenenes
sem que eu compartilhe tua enfermidade,
mesmo que eu a tenha provocado.
Tuas manipulações, teus crimes,
não aproximam-se da minha pérfida violação,
planejada, arquitetada e executada
em frieza impiedosa.
Pois joguei com a tua consciência,
com tuas virtudes e teus defeitos
e apostei tua alma,
que perdi… a Eles.
Sem mais delongas, está chegada a hora
Ao brilho cativante da lâmina devo me entregar, é minha sina desde o útero
Que Deus me perdoe, mas não há mais saída ou razão para procurá-lo
Não há mais sentido nem em levantar-me de meu leito
Quando mais de sair de meu estado delirante
De quando em quando planejava e testava minha fuga gloriosa
E agora, em fim, a trago para a realidade
Nunca sentira antes esse fulgor esvaindo de minhas veias
Essa sensação mórbida e tranqüilizante
Já não sinto mais o bater desajeitado de antes…
Deveras, sem dor…