mar 12 2004

Últimos Pedaços

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
- Poemas de Alberto Caeiro

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mar 11 2004

Mais e mais pedaços

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

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mar 10 2004

De pedaço em pedaço…

Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

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mar 9 2004

Ainda Pedaços

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
- Autopsicografia, Pessoa

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mar 8 2004

Pedaços de Pessoa

Já sobre a fronte vã se me acinzenta
    O cabelo do jovem que perdi.
Meus olhos brilham menos.
Já não tem jus a beijos minha boca.
Se me ainda amas, por amor não ames:
    Traíras-me comigo.

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mar 5 2004

Pedaços de Pessoa

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais do que os pensamento…

aprendi muito com isto, salve o Caeiro

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mar 4 2004

Pedaços de Pessoa

pequenos trechinhos que vou publicar durante alguns dias

Minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
[retirado de Apontamento, Pessoa]

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mar 3 2004

Somewhere Else

As vezes me pergunto para onde eles vão quando eu fecho o livro, recolho os dados e me encaminho para casa… será que eles ainda estão lá, como num êxtase temporal, paralizados, esperando outro final de semana para poderem brandir suas espadas e conjurar suas magias novamente?

A vida não parece fazer muito sentido durante o resto da semana, tudo é tão banal, aparentando não ter sentido. Então eu me pergunto, se são realmente eles nossos fantoches.

- rpgdefindi

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mar 2 2004

Ela Dança

Era uma destas noites sem estrelas em que todos os bares estão lotados. Havia um Lee Hooker agradável tocando no fundo e uma atmosfera enevoada que cobria as mesas. Havia uma pista de dança também, preenchida por várias rodinhas de amigos semi-sóbrios.
E ela estava lá. E dançava também, em sua roda de amigos.
Ele largou o cigarro sobre o cinzeiro e pigarreou. Agitou rapidamente o copo, tentando dissolver um pouco das pedras de gelo. Levou-o aos lábios e bebeu um gole generoso, deixando pouco mais do que o gelo deslizando pelo fundo.
A vodka desceu gelada, como que arranhando, dilacerando a garganta debilitada. Tossiu forte, uma tosse seca e rouca. Algumas pequenas gotas de saliva caíram sobre a mesa, pequenas gotas de saliva vermelha.

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mar 1 2004

Coleira

Desculpem não cumprir a promessa da volta da melancolia, não hoje… mas, é que o ocorrido vale um post:
Vesti a coleira. E muito bem vestida.

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