Últimos Pedaços
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
- Poemas de Alberto Caeiro
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
- Poemas de Alberto Caeiro
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
- Autopsicografia, Pessoa
Já sobre a fronte vã se me acinzenta
O cabelo do jovem que perdi.
Meus olhos brilham menos.
Já não tem jus a beijos minha boca.
Se me ainda amas, por amor não ames:
Traíras-me comigo.
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais do que os pensamento…
aprendi muito com isto, salve o Caeiro
pequenos trechinhos que vou publicar durante alguns dias
Minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
[retirado de Apontamento, Pessoa]
As vezes me pergunto para onde eles vão quando eu fecho o livro, recolho os dados e me encaminho para casa… será que eles ainda estão lá, como num êxtase temporal, paralizados, esperando outro final de semana para poderem brandir suas espadas e conjurar suas magias novamente?
A vida não parece fazer muito sentido durante o resto da semana, tudo é tão banal, aparentando não ter sentido. Então eu me pergunto, se são realmente eles nossos fantoches.
Era uma destas noites sem estrelas em que todos os bares estão lotados. Havia um Lee Hooker agradável tocando no fundo e uma atmosfera enevoada que cobria as mesas. Havia uma pista de dança também, preenchida por várias rodinhas de amigos semi-sóbrios.
E ela estava lá. E dançava também, em sua roda de amigos.
Ele largou o cigarro sobre o cinzeiro e pigarreou. Agitou rapidamente o copo, tentando dissolver um pouco das pedras de gelo. Levou-o aos lábios e bebeu um gole generoso, deixando pouco mais do que o gelo deslizando pelo fundo.
A vodka desceu gelada, como que arranhando, dilacerando a garganta debilitada. Tossiu forte, uma tosse seca e rouca. Algumas pequenas gotas de saliva caíram sobre a mesa, pequenas gotas de saliva vermelha.
Desculpem não cumprir a promessa da volta da melancolia, não hoje… mas, é que o ocorrido vale um post:
Vesti a coleira. E muito bem vestida.