abr 30 2004

Senna

Há cerca de dez anos eu era um fã incondicional de autovelocidade. Todo domingo, sentava com o pai e a minha irmã na frente da TV enquanto tomávamos café para assistir a Fórmula 1. Discutíamos as largadas, pole positions, acidentes, bandeiradas, os pilotos: Mansel, Prost, Berger e claro, Ayrton Senna.
Então naquele dia 01 de maio havia uma missa especial pelo dia das mães e eu, como bom acólito (coroinha) fui escalado para servir a missa, que não acabou antes das 11 horas. Era um dia ensolarado e quente, um domingo de festa ao qual eu corri para casa.
Assim que pus meus pés em casa a mãe soltou aquela: – Senna morreu.
Eu não acreditei, juro que não acreditei, mesmo assistindo a todo o enterro pela televisão, mesmo conforme a semana se passava. Só me dei conta do fato realmente duas semanas depois quando o carro dele não estava na largada.
Senna morreu.
Sabe, para um garoto de 12 anos ele foi um ídolo. Parece futilidade, mas ele realmente foi um exemplo para mim.
Já se foram dez anos…

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abr 29 2004

Lorde Negro I: Kyan

Cavalgara para casa, após meses diluídos em sangue nos campos. Ele vencera, e agora corria para o conforto dos braços daqueles que amava. Esperava brados de alegria ao aproximar-se dos portões, mas sequer uma saudação foi ouvida.
Uma estranha sensação tomou-lhe o ser. Mandou pôr abaixo o portão de madeira para descobrir o pátio da fortaleza vazio e silencioso. Caído junto as escadas do torreão, um dos frades jazia imóvel. Estava pálido e de lábios arroxeados.
Correu pelo interior da fortaleza e podia ouvir os gritos de seu exército ao descobrir um serviçal ou sentinela em semelhante situação. Adentrou seu quarto, passando sobre o corpo da governanta. Uma luz suave atravessava as cortinas, ressaltando os cachos dourados de sua esposa sobre a escrivaninha. Tocou-lhe a face, gélida.
Um gemido fez-se ouvir da cama. Correu para seu filho e tomou-o. Pode ver quando seus olhos perderam o brilho e se fecharam, em seus braços. Abraçou-o com força e urrou aos céus.
Os soldados adentraram o quarto e descobriram um lorde enlouquecido. Tentaram afastá-lo da criança, mas não conseguiram. As palavras veneno e traição chegavam distorcidas a seu ouvido. Ergueu-se e ordenou que o seguissem.
Invadiu o vilarejo pela força. Exigiu que entregassem-lhe o assassino. Degolou sete primogênitos antes que este lhe revelassem. Este havia fugido, mas ele o seguiu por semanas. As tropas aos poucos desertaram até que ao fim restaram-lhe não mais do que uma dezenas de homens. Mas acharam o traidor dentre os ciganos.
Tomaram-lhe a ferros, e mesmo amaldiçoado pelas línguas pagãs, carregou-o ao calabouço. Todo o povo fugia de seu olhar, mas ele não mais importava-se. Voltou para casa, para os braços de seu filho e esposa amados.
Por semanas ainda torturou e aproveitou-se de cada grito de dor daquele que havia sido seu algoz. Prometeu, pela alma de cada criança que tomara, que seus gritos ecoariam pela eternidade.
Seus leais cavaleiros voltaram-se contra seu senhor insano, mas ele os renegou. Desonrados e traídos, avançaram sobre ele e o prenderam. Foi enforcado sobre as muralhas do castelo e na noite seguinte ele retornou.
Névoas cinzentas tomaram o reino, e o lorde pôs novamente os pés em sua terra, e vingou-se de cada um de seus paladinos, enquanto pouco a pouco seu reino sucumbia aos Domínios do Terror. Voltou para casa, para o abraço frio de sua esposa e filho.

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abr 27 2004

Rainha de Mármore

Minha amada rainha,
longamente aguardo teu chamado
e desejo o doce trinado de tua voz…

Minha amada rainha,
tão longos os dias que não a vejo,
eternidades que se propagam na memória…

Aguardo,
o canto que talvez nunca virá,
nos versos lírico
e no clamor suave das notas agudas…

E sempre que o poente tinge o céu
despertando lampejos em minha visão
eu desejo teus olhos sobre mim
determinados…

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abr 26 2004

De Cama

Estava de cama ontem. Dor de cabeça, e no estômago, calafrios e febre.
E no meio da tarde me acordaram, invadiram meu quarto, sentaram comigo na cama e me animaram. Recebi flores.
Adoro essas pessoas.

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abr 24 2004

22:48. GrupoW

22:48. GrupoW
Imprimindo Bônus para o Open.
- Poxa, nem convida…

Tou querendo conversar um pouco comigo mesmo. Descobrir onde deixei cair aqueles defeitos e aquela melancolia toda. Tentando me encontrar.
Voltar a escrever talvez.

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abr 22 2004

puritano

puritano. [Do ingl. puritan.] Adj. (…) 3. P. ext. Que é ou aparenta ser muito rigoroso na aplicação de princípios morais. 4. P. ext. Austero, rígido; moralista (…
- do Aurélio
Gostaria de saber onde isto inclui “desejar ter um amor único”. Talvez o mundo esteja liberal demais para mim.
Parece que eu quero confusão, postando isto, mas é muito pelo contrário. Várias palavras me deixaram intrigado nestes dias, tais quais comparações e “arquetipagem”. Eu sou o FallenAngel, lebram? Jefferson Seide Molléri… acho que só existe um, e ele não é feito de rótulos prontos.
Todos somos mais complexos do que os simples títulos que nos atribuímos.

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abr 22 2004

Dela

Hoje acordei com saudades dos braços dela.
E eu nem a conheço.

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abr 20 2004

As Névoas…

Procuro meu caminho nas névoas, buscando os romances de Ravenloft, desejando lá encontrar portal seguro para a Vastidão Cinzenta que clama minha presença.
Ravenloft, o plano de terror, povoado e dominado pelas mais aterrorizantes atrocidades que tivera-se notícia. Monstros góticos de poderes negros, assombrados por aqueles que um dia amaram.
Porque eu admiro tanto o Plano do Terror?
Pergunte a Tatyana, que ainda hoje assombra a visão do barão Sthrad, ou pergunte a van Ritchen que teve de estacar seu próprio filho, a Lord Soth e aos cavaleiros que ele assassinou, pelos crimes que ainda hoje os perseguem, séculos depois.
A morte pode ser um alívio em Ravenloft.

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abr 19 2004

O Espectro da Rosa Negra


Upon a dais shrouded in the hall’s deepest shadows sat a worm-eaten throne, and upon that throne hunched a suit of armor. The plate mail appeared empty, deserted. The once-bright metal was blackened with soot and age. Tatters fringed the purple cloak draped over the armor’s shoulders. The tasseled helmet drooped forward. Only the faint lights flickering in the helmet’s eye slits betrayed the fact that something lurked within that fire-blasted metal skin.
“On your knees,” Azrael said, and the skeletal guard forced Gesmas to the dirty stones. The dwarf turned to the throne and bowed with overstated deference. “As you commanded, great lord, I have brought you the stranger.”

The banshees ceased their keening and turned to the dais. Their faces grew even more horrible with anticipation. The skeletal warrior, Soth’s loyal retainer of old, seemed to share their anxiety. Gesmas felt its bony fingers tighten on his shoulders.

Finally, Soth stirred upon his dilapidated throne. The twin flickers of orange light that were his eyes flared. Or perhaps the hall grew suddenly darker. All heat, all hope, drained from the room. It was as if those things flowed into Soth, fuel for his terrible gaze.

“Tell me my story,” Soth said to the prisoner. “Tell me who I am and how I came to this place.”

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abr 17 2004

Popolo Crois

“O céu é bem difícil de alcançar,
por isso a lágrima em seu rosto
tomou lar…
Quero encontrar depressa a solução
não quero mais te ver sofrer,
quero acalmar seu coração…”

Ouvi esta música meiga uma vez, e agora Lacrimosa preenche meus ouvidos.
Estou tentando lutar contra algo muito mais poderoso do que eu mesmo, o arauto da dor e da destruição, um monstro cruel contra quem minha espada e lança não podem ferir, a criatura a qual minha armadura e escudo não podem me proteger.
Não consigo vencer a mim mesmo.

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