Para a Tempestade, ou o sofrimento de Ethan

E então Ethan ergueu-se. Havia passado todo o dia deitado num esquife de pedra, torturado e enclausurado. Podia sentir o calor e a luz do sol entrando pelas frestas, mas na tumba, nem isto o alcançava.
Buscou pela luz, desejou o calor, e em sua mente as lembranças lutaram, buscaram apoio, consolo. E ele encontrou-se só, desamparado e esquecido. E seu coração tornou-se gélido e rígido conforme era sufocado pelas mãos sepulcrais que agora ordenavam que ele levantasse.
E ele levantou-se, tomou em suas mãos a espada que trazia na bainha e desafiou a criatura. Havia ódio e rancor em seu olhar e seu coração era todo honra e virtude. Ajoelhou-se, prostrando a espada ao chão.
– Ao seu comando, meu senhor!
Sua alma havia se perdido e agora ele servia ao maligno. Sentia um prazer estranho e doloroso ao executar-lhe as ordens. E as sombras abraçavam-no como a um filho, ou um amante. Tornara-se um monstro.
E agora marcha, em meio a tempestade, para a batalha que tanto desejara.
Seguindo as ordens do Um… contra tudo o que seu coração outrora jurou defender.

  • ao som de Into the Storm, Blind Guardian


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