abr 13 2004

Heartless

ora aprisionado na Vastidão cinzenta, por homens de olhar vazio e faces inespressivas. Torturatam-no, mas não se preocuparam em obter nenhuma informação. A guerra que era travada lá fora não os parecia importar. Eles queriam outra coisa.
Perfuraram-lhe a carne com agulhas e ganchos, farpas e lâminas… arrancando, dilacerando, deformando. Os gritos ecoaram por noites e dias, mas ninguém se importou, em momento algum recebeu uma censura ou sorriso.
E conforme o sange lhe escorria pelos ferimentos largamente, pensou que morreria. E decerto morreria, como tantos outros que haviam transposto a mesma experiência. Mas então cravaram-lhe novos ganchos no peito, estilhaçando e expondo sua caixa toráxica. Abriram-na, e de todo aquele terror rubro retiram-lhe o coração ainda pulsante.
Substituíram-no por um fardo de metal. Uma máquina que bombeasse seu sangue e o manteria vivo, um coração que projétil algum poderia perfurar, em ferro e carvão.
E então compreendeu os olhos vazios, mas isto não mais lhe importava. Não havia rancor ou ódio, nem mesmo amor ou vontade. As lembranças eram uma névoa perdida em sua mente.
E hoje caminha silencioso pela Vastidão, e passa pelos outros como uma sombra de peito pesado e doído, mas não chora ou reclama. Porque haveria de fazê-lo?

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