Lorde Negro II: O Cavaleiro Sombrio

A grande porta de madeira cede ao peso do soldado e se abre, arrastando-se ao chão e provocando ondas nas névoas que cobrem seu tornozelo. As placas de metal sobre as botas estalam confome ele recua.
O elfo é o primeiro a entrar no salão, a passos silenciosos. Ele força a vista para alcançar os degraus na extremidade oposta e o trono ocupado acima deles. As ruínas se estendem, largas colunas de pedra caídas a sua direita e esquerda, e os altos vitrais despedaçados sobre o chão. Parte do teto ruiu há muito tempo, espalhando entulho por toda a extensão da câmara.
A vistani se adianta, em seu longo vestido negro, quase como uma sombra sob os raios prateados que incidem do teto. Ela avança decidida, seguida por seus companheiros.
O último deles entra com um livro aberto sob os olhos e quase tropeça numa das vigas caídas. Espantado, ergue os olhos para os companheiros ajeitando os óculos.
Ouçam isto – diz – este conto descreve a saga do cavaleiro e de sua queda nos montes Balinok. Semanas após sua morte, enquanto os conflitos ainda duravam contra os barovianos, ele ergueu-se e cavalgou sozinho pela noite em busca dos seus companheiros nos campos de batalha e lutou ao lado deles mesmo ao raiar do dia.
Enquanto ele enumerava os feitos do cavaleiro sombrio, caminhava na direção ao balcão e a seu trono. Parou ao pé da escada e voltou os olhos para cima. Um arrepio percorreu sua espinha conforme vislumbrava a armadura caída sobre a pedra fria.
Era completamente coberto por placas desgastadas, e seu elmo fechado pendia sobre o próprio peito, parcialmente encoberto por uma capa negra que descia-lhe por sobre os ombros. Uma das manoplas jazia ao lado do trono, segurando inutilmente o pomo de uma espada longa. Não havia sequer um movimento em toda a câmara a não ser pela respiração dos companheiros.
Kardanon, o elfo ergueu seu arco em direção da figura sombria e aguardou. Grigori desembainhou a espada e tomou-a em posição de guarda, mas voltando-se para Litha, questionou-a:
– Precisamos realmente despertá-lo?
A garota não respondeu, mas ergueu seu olhar sombrio. Éfeso distanciou-se com o livro sob o braço enquanto a vistani retirava o pergaminho de sua algibeira.
– Talvez eu não saiba cantar como ela, mas preciso tentar.
E recitou:
“Por eras infindáveis mantivesses tua honra
e eternamente a tua palavra
mas hoje a promessa se findará
porque tua rainha clama por teus préstimos,
e seu canto a ti se eleva”

Com o término do canto, o silêncio reinou absoluto novamente, mas por somente alguns intantes. Os companheiros olharam uns para os outros, mas então a manopla se fechou no punho da espada e o elmo se ergueu. A armadura estalou, rachada pelo tempo, mas o cavaleiro sombrio caminhava novamente.


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