jun
13
2004
Estou re-lendo o Asilo Arkham. E se posso resumí-lo em algumas palavras: “Puro lixo gótico”.
Hahahahahahah! Vale a pena se você não quer manter muito de sua sanidade. Leia a sério.
Hoje é dia dos namorados. 13 de junho?
E será um dia agradável com um céu limpo e um frio de rachar os lábios.
entrelinhas
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jun
9
2004
- uma crônica de Sir Glenn d’Leene
Escalei as escarpas rumo ao topo do pequeno planalto. Era pouco mais largo do que o forte ao qual me encontrara hospedado dias atrás. Lembrava-me do caminho entre as rochas ainda, um caminho estreito e íngreme, um caminho para poucos. E definitivamente não para os cavalos.
O topo era verdejante e vivo, agraciado por uma suave brisa que erguia as folhas de visgo e as pétalas das flores do campo. Não haviam árvores ou grandes arbustos. Tudo o que se erguia no centro do planalto era o objetivo de minha busca: o Monolito da Honra.
Tratava-se de um grande dente de pedra cinzenta que se erguia duas vezes e meia mais alto do que eu, bem no centro do planalto. Fora colocado ali há muitas eras por algum santo ou mesmo pelos pais das árvores diziam as lendas. Elas diversificavam em vários pontos, mas todas concordavam em um ponto crucial: a função do monolito.
Para homem algum o monolito apresentava-se de maneira igual, pois espelhava-se na honra e nos ideais de seu observador. Eu já o conhecia, mas precisava ter certeza de sua magia. Diziam que deveria ser o objetivo almejado de todo cavaleiro, uma rocha a erguer-se altiva para aqueles que soubessem onde procurar auxílio e inspiração.
Desembainhei a espada e rumei para o centro da formação, mas não avistei guardião algum. Somente uns pássaros pequenos que brincavam ao vento. Parecia exatamente igual ao que eu havia visto da primeira vez, anos atrás, mas em verdade não estava. Haviam meia duzia de pequenas marcas, arranhões ao seu redor e próximo ao topo uma lasca havia sido retirada. Olhei para ele com pesar, comparando-o a mesma visão de anos atrás. Haviam pequenas runas lapidadas em sua face, representando a honra, virtude, fé e outros ideiais de um cavaleiro.
Pus a mão sobre a pedra fria e fui tomado de uma rapida visão. Os campos de Leene, minha terra natal, avistados de sobre o Monte do Ente, cortados pelo correr ruidoso do riacho prateado que erguia jorros de água ao chicotear as rochas. Avistei as crianças correndo sobre os campos com espadas de madeira, saltando sobre as cercas, seguidas de perto por seus cães. Um vento repentino acordou-me de minha visão, tragando-me de volta ao presente e prolongando-se como um calafrio em minha espinha.
Eu era inocente, era puro e cheio de vigor. E agora, havia marcas em meu monolito, embora nenhuma das runas houvesse sido apagada, sequer rasurada. Por um momento senti-me orgulhoso. Tracei um dos arranhões com a ponta do meu dedo, lembrando-me da provação que provocara aquela ferida. Havia sido uma grande provação, e causou-me somente um pequeno arranhão.
Pensei em quantos cavaleiros deparavam-se com ruínas de pedra sobre o planalto, ou avistavam seus monolitos partidos e deteriorados pelo tempo. Tomado de súbita tranquilidade, deitei-me aos pés do monolito, despindo-me da armadura e largando longe a espada e escudo. Era belo ao erguer-se contra o céu azul e as nuvens que desfilavam muito acima. Era belo e vigoroso.
E eu orgulhava-me dele
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jun
8
2004
eis a questão
Será mais nobre sofrer na alma
pedradas e flechadas do destino feroz
ou pegar em armas contra o mar de angústia
- Hamlet
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jun
8
2004
Mandamentos difícieis… é, eu acho que sim.
Ainda assim eu acho necessário. Para mim. Para o meu caminho. Para a minha ânsia de cavalgar honrosamente.
Esta noite eu tive um sonho, e não foi um sonho bom. Magoava novamente uma pessoa que me importa muito. Devo fugir, me afastar? Devo permanecer e esperar não repetir o fato?
Quero fazer por merecer… minha armadura, minha espada, meu título.
Talvez uma princesa ou uma pequenina boneca de porcelana.
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jun
7
2004
encontrei algo perdido… que me faz muita falta:
Mandamentos dos Anjos Guardiões
.não furtes
.sê modesto
.sê calmo
.sê destemido
.sê orato
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jun
4
2004
O tesouro mais precioso… eu o roubei, e brinquei com ele… cruelmente eu zombei dele.
Estava repleto de recordações e lembranças, e eu as maculei. Lembrará de mim ao tocar nele.
Pior do que toda a arrogância ou egoísmo.
E não há perdão. Eu nunca me perdoarei
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jun
2
2004
Era pequenino ainda, mal podia se por de pé e estava diante de mim, com as mãozinhas estendidas e os grandes olhos fixos nos meus, esperando que eu o acolhesse.
Mas eu temia a responsabilidade, temia a perda, como acontecera antes. Agachei-me até ele e ele sorriu, ainda inocente de minhas reais intenções. Levei uma faca de seu pescoço. A proximidade da lâmina fria significava para o infante pouco mais do que uma brincadeira.
Mas assim que a lâmina perfurou a carne, com certa resistência ao romper a pele, sua expressão se modificou para dor e indignação. Empurrei-a até o cabo fundo em sua garganta e puxei para o lado, abrindo um corte largo de quase um palmo.
Vi-o deitar ao solo, o sangue escorrendo pelo corte, espalhando-se pelo chão, manchando a sola de meus sapatos. Haviam lágrimas em seus olhos, mas os meus eram impassíveis. Permaneci de pé, observando seus espasmos ao buscar por ar quando não mais podia.
Vários minutos se passaram até que seu corpo permanecesse inerte, mas seus olhos, ainda abertos me indagavam o porquê. Eu não sabia responder.
Foi a primeira, e única, vez que assassinei um amor, ainda inocente. Pretendo nunca repetí-lo, mas temo a chegada deste dia.
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jun
1
2004
O vento uiva ruidosamente batendo as janelas, erguendo as cortinas, invadindo meu quarto. Sozinho na cama me encolho em meu próprio abraço, desejando que fosse o teu toque.
As noites de inverno são lindas no chalet, mas solitárias sem a tua presença. As estrelas ainda brilham, mas não me consolam. Nem mesmo a lua sorri da mesma maneira, e eu sinto um estranho vazio. Algo que me congela as costas, provocando dor em meus ferimentos.
Desejo o mundo das sombras e a tua companhia, minha doce daoine sidhe.
- Diário de lorde Henry O’Connor, encontrado morto em estado de hipotermia profunda
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