set 1 2004

O Prêmio

Ele me chamou pelo nome. Me convocou para perto de si. Eu, sem saber o porquê me aproximei temeroso e na escada me ajoelhei. Era pouco mais baixo do que ele nesta posição, mas me sentia mais confortável, como se fosse realmente meu lugar, próximo a seus pés. Novamente chamou meu nome.
Erguendo os olhos, fui atingido por um faço de luz praticamente me cegou. Em meio a ele uma silhueta negra se destacava, pequena e delicada. Ela era minha jóia, o meu tesouro. Eu a conquistara, segundo meu rei o dissera. Por ser bom e leal, justo e correto. Por ser misericordioso.
Eu não entendia, afinal retornei da última batalha sem ter desembainhado minha espada. O inimigo, meu nemêsis cruel, se rendeu ao minha insistência, reconhecendo o seu erro. Eu fui… vitorioso? Como eu poderia receber tal prêmio.
Ele se calou. Meu senhor muitas vezes antes o fez, deixando-me um tanto curioso, preocupado até. Conquistei uma dádiva sem luta, sem morte ou dor. Não tomei-a de ninguém, não saqueei-a dos derrotados, não tomei-a dos caídos. Eu simplesmente a recebi, como uma pena que caísse dos céus em minha mão.
Como não se perguntar se mereço?

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