set 10 2004

Findou-se

Após muito tempo eu finalmente terminei de ler Guerra e Paz. Foi longo e cansativo, mas valeu a pena. Uma novela digna de ser lida, com personagens complexos e reais, com dramas tão comuns quanto os nossos, e atitudes tão confusamente racionais.
É um conto de pessoas corajosas que, cada qual, acaba por descobrir um sentido em sua prórpia vida, na coragem, na amizade, nas virtudes, no amor. É tão estranho não saber descrever uma obra tão magnífica:

… Ele se ergue e dirige-se à porta para fechá-la a chave. Terá ou não tempo de fechá-la? Todo o problema se reside nisso. Caminha, apressa-se, mas as pernas não lhe obedecem, sabe que não terá tempo para fechar a porta e dolorosamente emprega nisso todas as forças. Um medo terrível apodera-se dele. Esse medo é o medo da morte: atrás da porta está ela. Mas enquanto se arrasta com dificuldade e já sem forças, essa coisa horrível apóia-se no outro lado, começa a empurrá-la. Essa coisa inumana – a morte – empurra a porta e é preciso detê-la. Chega até a porta, emprega suas últimas forças não para conseguir fechá-la, mas pelo menos impedir que seja aberta. Seus esforços, porém, são fracos, essa coisa horrível empurra com mais força, a porta se abre e torna a fechar-se. Mais uma vez ela empurra do outro lado. Seus últimos esforços sobre-humanos tornam-se vãos e a porta escancara-se sem barulho. Ela entrou: é a morte. E o príncipe Andriei morre.
- Guerra e Paz, Liev Nicolaievitch Tolstoi

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set 8 2004

Na Mão Dela

Não existem palavras para o hoje…
Queria falar a todos do pequeno desenho na minha mão esquerda, quer dizer, na mão dela; queria falar dos olhos dela presos aos meus, dos seus braços me pressionando forte e minha mão arrumando-lhe os cabelos. Ela diz que não quer que eu aprenda e eu não quero ela de outro jeito. Queria falar do amor, como falam os poetas, mas minha língua enrola-se e minha mente não consegue dar rumo ás idéias.
Me resta somente aquele frio cortante da ausência, e um doce conforto de um futuro incerto

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set 3 2004

Gothiquices

Poe, gatos pretos, vinho e sangue, lágrimas, Lacrimosa, Tristania, melodiosa desarmonia, desamparo, solidão, Werther, olhos, lábios, amor, pólvora, morte, Gaiman, sonhos, delírios, devaneios, onirismo, névoas, Ravenloft, Greywaste, cinzento, cavaleiros, espadas, desliusão, Byron, ossos, crânio, taça, meloDrama, drama, boemia, música, violinos, My Dying Bride, For my FallenAngel, asas cortadas, anjos, dos Anjos, Caindo…

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set 2 2004

Acompanho…

Os links se foram, mas eu ainda acompanho tantos blogs e flogs quanto antigamente. alguns novos, alguns antigos… uns se vão, entristecidos, outros nascem, pedindo atenção. Tenho me recusado a comentar qualquer coisa, simplesmente por comentar. Digo algo quando é preciso ser dito, e tenho esperado para ouvir… Mas para mim, só o silêncio. Fora os sussuros da d. Macbeth.

Hoje é o Dia!

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set 1 2004

O Prêmio

Ele me chamou pelo nome. Me convocou para perto de si. Eu, sem saber o porquê me aproximei temeroso e na escada me ajoelhei. Era pouco mais baixo do que ele nesta posição, mas me sentia mais confortável, como se fosse realmente meu lugar, próximo a seus pés. Novamente chamou meu nome.
Erguendo os olhos, fui atingido por um faço de luz praticamente me cegou. Em meio a ele uma silhueta negra se destacava, pequena e delicada. Ela era minha jóia, o meu tesouro. Eu a conquistara, segundo meu rei o dissera. Por ser bom e leal, justo e correto. Por ser misericordioso.
Eu não entendia, afinal retornei da última batalha sem ter desembainhado minha espada. O inimigo, meu nemêsis cruel, se rendeu ao minha insistência, reconhecendo o seu erro. Eu fui… vitorioso? Como eu poderia receber tal prêmio.
Ele se calou. Meu senhor muitas vezes antes o fez, deixando-me um tanto curioso, preocupado até. Conquistei uma dádiva sem luta, sem morte ou dor. Não tomei-a de ninguém, não saqueei-a dos derrotados, não tomei-a dos caídos. Eu simplesmente a recebi, como uma pena que caísse dos céus em minha mão.
Como não se perguntar se mereço?

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