nov 29 2004

Sorriso


Passos rápidos sob a chuva,
as mãos unidas, entrelaçadas,
corações que batem juntos
e voam, sem limites ou barreiras.

Rendas sobre o colo,
estrelas perdidas em seu olhar,
e nada, nada no mundo
poderia substituir seu sorriso.


nov 26 2004

Rei Artur, de Allan Massie

O livro vale a pena, mas somente para aqueles fãs de contos arturianos que pretendem conhecer de tudo um pouco. A narrativa é fraca e o autor se utiliza demais de “filosofismos” ruins, emobora não necessariamente mal-embasados. Em certos pontos, ele se abstém de contar detalhes sobre o relacionamento íntimo de Artur com a Morgana; em outro, no entanto, detalha de forma com que o jovem Artur é estuprado por um cavaleiro (sim, isto mesmo… e no livro ele até gosta de meninos e meninas).
Ainda assim o livro apresenta alguns pontos de vista diferentes (e mesmo impensados). Mas a narrativa não agrada, realmente.

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nov 24 2004

A Volta

E, em pouco tempo a euforia da batalha esmaeceu e dissipou-se lentamente. Todos tinham agora o semblante entristecido e preocupado. Uns jogavam os corpos num monte, outros ao mar; alguns vasculhavam a nau inglesa a procura de tesouros, de pólvora ou açúcar. Quanto a mim, só pensava em voltar.
Os olhos dela estavam em minha mente, assim como os lábios que me enfeitiçaram e o corpo que me dominou por toda aquela noite. Eu ainda podia sentir seu cheiro, mesmo dentre a pólvora que pairava no ar; podia sentir o toque de seus dedos sobre o meu peito, seus dentes em meu pescoço. A ansiedade tomou conta do meu ser, inflamou em minhas veias, explodindo em meu peito.
Mas logo morreu, ou transformou-se n’algo diferente quando encontrei-a caída junto aos canhões. Seu vestido estava repleto de cinzas, ocultando a cor verde de outrora.
Ajoelhei-me a seu lado e tomei-a nos braços. Seu corpo resistiu, tragado pela gravidade. Não havia sopro ou vontade e sua face, pálida e cândida, coberta por pequenas gotas de sangue rubro. Rubro como nosso amor. Não sei o que veio primeiro, se o frio, a solidão, a descrença, a revolta ou a culpa. Somente me lembro de ter gritado, tão alto quanto pude; tão forte, tão raivoso quanto meus sentimentos me permitiam.
E o céu me respondeu com trovões, e o mar com as ondas. E eu os amaldiçoei, assim como me amaldiçoaram.

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nov 23 2004

Alvo

… Mas como as espumas flutuantes levam, boiando nas solidões marinhas, a lágrima saudosa do marujo… possam eles, é meus amigos! – efêmeros filhos de minh’alma – levar uma lembrança de mim às vossas plagas!
Castro Alves

A Juliete me emprestou o livro citado ao lado e eu estou conhecendo pouco mais do Romantismo através dela e, diga-se de passagem, gosto do que eu leio. Embora não me identifique de todo, como ocorre com o Simbolismo.

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nov 23 2004

Perdição

O sol apareceu fraco por entre as nuvens da manhã sombria, e o vento nos atingia forte. Levantamos âncora e contornamos a ilha tropical, vergados pela força das ondas. Do outro lado dos corais avistamos nosso nêmesis, com o flanco voltado para nós. Não seríamos rápidos o suficiente para uma fuga e tampouco havia munição para um combate a esta distância. Estávamos perdidos.
O capitão decidiu abordá-los e, num ímpeto suicida lançou-nos contra os corais. Os canhões eram jogados ao mar para aliviar o peso, pois encalhar seria nosso fim.
E então a primeira saraivada veio; um dos tiros nos atingiu próximo a proa e outro rasgou uma das velas. Perdíamos velocidade e toda a situação parecia desesperadora. Novamente ouvimos o clamor dos canhões e o segundo bombardeiro voou sobre nós, nos atingindo em meio ao convés. Da proa eu senti o tremor e fui jogado ao chão. Fumaça cinzenta e o cheiro de pólvora emergiam dos porões. Havia corpos atirados para a popa e alguns caíram no mar. Mas estávamos perto o suficiente para abordá-los. Se ao menos pudéssemos resistir ao terceiro ataque.
E o vento veio, junto com as ondas que nos empurraram para baixo e ergueram consideravelmente nossos asdversários. Os canhões atiraram muito acima de nós e, conforme subíamos a onda arremetemos como um aríete com aforça de um titã.
O casco rachou de cima abaixo e desesperados atiramos os ganchos. Havia algo como a fúria fluindo entre a tripulação e os tiros, os sabres desembainhados e meus gritos ecoavam entre as barcaças emparelhadas.
Subi a amurada e apontei o fuzil para seu imediato, bradando um insulto que o empalideceu. Largou o chapéu inglês ao chão e correu do convés. Em maior número ocupamos a embarcação ligeira e fizemos prisioneiros, poucos em verdade, mas os fizemos.
E por mais que estes feitos me houvessem retornado aos braços e aos olhos daquela que eu almejava, mais tardes eles seriam minha condenação.
Mas naquele momento eu sorri, deleitando-me com o sangue que cobria o mar.

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nov 22 2004

Algo além do Mar Cinzento

Deve ter ouvido as notícias sobre a batalha da manhã seguinte, pois veio me procurar no convés, onde eu admirava as ondas que brilhavam prateadas a luz da lua.
Percebi sua respiração enquanto me observava. Ela permaneceu ali por alguns minutos, vulnerável vento frio que nos castigava a face e os olhos.
Voltei-me para ela e, ainda assim ela permaneceu calada. Seus olhos brilhavam num misto de expectativa e temor e seus lábios tremiam também. Retirei minha casaca e vesti-a por sobre seus ombros nus. Então, ela apoiou a cabeça contra meu peito.
Envolveu-me num abraço e, quando voltei meus olhos para baixo, encontrei seus lábios próximo aos meus. Então houveram carícias, e nossos lábios e corpos se tocaram durante toda a noite.
Estava ainda mais frio quando acordei durante a madrugada. Ao meu lado seu corpo macio parcialmente se ocultava sob as cobertas, a face rosada e os lábios risonhos faziam alusão a um querubim adormecido.
Eu me levantei e rapidamente me vesti para a batalha, certo de que havia algo para que voltar, algo além dos mares cinzentos.

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nov 19 2004

Hyndie


Essa é a foto de uma garota que eu admiro muito, a Hyndira. Ela sempre consegue umas poses muito boas (totalmente diferente de mim), mas sobretudo, é uma pessoa gentil e confiável, a quem eu devo muito.

Ah, desculpem a qualidade da imagem, mas meu celular não é nenhuma cybershot. Fotolog?

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nov 18 2004

Estranhezas

Recebi ontem o Atlas da Terra Média, anexado a uma “cartinha” da minha irmã-distante-no-alto-do-céu. Ela foi reconhecida através de um artigo no Diário do Grande ABC.

Eu também tenho minhas Estranhezas

Desde pequeno fui orientado a respeitar as obras feitas em devoção a Deus (ou a deuses) e, por isto, sempre que me vejo diante de uma igreja eu faço o sinal da cruz.
Quando venho para o trabalho, e isto se prolonga desde que eu trabalhava na outplan, eu atravesso um morro e, do alto dele, pela janela do ônibus eu avisto o mar refletindo as primeiras cores da manhã; e todo dia eu me sinto inconscientemente tentando a executar o mesmo sinal da cruz.

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nov 17 2004

Nunca pensei que o mundo pudesse parar

Suas mãos pousaram-me sobre a gola da camisa, que ajeitou com cuidado. Em seguida endireitou-me o fecho do pingente que teimava em permanecer para a frente. Ergueu então seus deliciosos olhos castanhos ao encontro dos meus.
Nunca pensei que o mundo pudesse parar.

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nov 16 2004

O Lorde

Estava cansado e sedento, mas seguia o ruído da cascata lentamente. Eu não conhecia o bosque bem o suficiente para me aventurar com pressa. Meus braços estavam arranhados e o suor escorria pelos cabelos.
E então eu adentrei a clareira e avistei o córrego que descia pelas rochas, ruidosa. O canto da fonte parecia música das fadas tamanho era o silêncio. Avancei para a margem, mas me detive quando uma sombra se moveu sob mim. Voltei para o alto, para o topo das pedras e somente então o vi.
Tão grande quanto os mais fortes dentre os mearas, de pêlo extraordinariamente alvo e lustroso aparentava uma estátua de mármore. Mas contrário a uma estátua ele se movia, com a crina e barbas acariciadas pelo vento. Seu olhar ansioso me procurava, fitando-me, julgando-me.
Deitei minha cabeça e me submeti a seu julgo. Seria nobre e puro o suficiente para adentrar seus domínios?
Mais uma vez a sombra se moveu, e ao voltar meus olhos para cima vislumbrei somente o céu azul sem nuvens sobre as rochas.

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