Sob o toque da Lua

Entrava pela janela, assim como o vento. Este, erguia delicadamente as cortinas num movimento ritmado e suave, quase uma dança. Ela, ao invés, esgueirava-se silenciosamente pelo chão do quarto, aproximando-se da cama.
Permaneci sentado a observá-la, conforme as nuvens lá fora abriam-lhe espaço. Deslizou ao pé da cama, alcançando o lençol jogado rente ao chão. Escalou por ele, ligeira, decidida.
Seus dedos percorriam as cobertas, deslizando sobre os pés de minha dama, alcançando-lhe as pernas esguias, as coxas, o quadril. Abraçava-a como a um amante, banhando-a de cor argêntea.
Parou, por pouco mais de um instante, e subiu a seu colo, ao peito e enlaçando-lhe os braços. Por fim, tocou seus lábios e circundou-lhe os cabelos, revelando-me toda a beleza de minha princesa adormecida. A coberta parecia tecida em fios de pura prata e os cabelos negros refeltiam cada estrela no céu.
Os olhos cerrados de minha dama continham, em verdade, toda a tranquilidade do paraíso.


Fernando insiste em me classificar como poeta romântico, mas eu nego plenamente. Creio haver muito mais simbolismo em minha alma, e em meus escritos, do que a exaltação do romantismo.
Uma pessoa romântica talvez mas, um poeto romântico acredito que não. O texto acima (como poderia chamá-lo?), influenciado pelas leituras recentes (Castro Alves) talvez seja o mais próximo que eu possa chegar ao romantismo mas, ainda ele está impregnado de fantasia e de uma busca incessante por sentimentos puros de um passado longínquo e irremediavelmente perdido.

Pretendo estudar pouco mais sobre a arte que me agrada, a escola ao qual gostaria de pertencer. Em breve


Deixar uma Resposta