jan 28 2005

Reflexões sobre Amor e Amizade

Você pode gostar dele – retorquiu sir Guillaume, mordaz – mas não dorme com ele. E quando chega a hora de uma escolha, Thomas, os homens sempre escolherm aquela que aquece as camas. Pode não lhe dar uma vida mais longa, mas sem dúvida será uma vida mais feliz.
- O Herege, Bernard Cornwell

Um amigo nunca lhe falta, não lhe trai ou troca. Amigos são eternos, mas nunca substutuírão a ausência de uma pessoa amada. Esta por sua vez, caso seja além de companheira uma boa amiga, terá os atributos de uma companhia perfeita.
Então existem aqueles que confundem o amor (ou mesmo a amizade) com o desejo e a paixão; ilusão esta que já se mostrou destrutiva muitas vezes.
O Amor não é possessivo e não deseja nada além de seguir amando, assim estava escrito nuns papéis antigos que os homens copiaram; e eu acredito.
Bem, para variar, esta é uma crítica minha ao mundo moderno, onde os homens (e também mulheres) tratam os relacionamentos como mera diversão, esquecendo que existem não só direitos, mas deveres para com seus amigos e amantes. Até estas palavras já foram corrompidas.


Eu tentei resumir a minha indignação, juro que tentei. Aos leitores que vão me considerar intolerante e atrasado, sinto muito; eu realmente desprezo o mundo da forma que ele se tornou e sonho com uma utopia muito além do Horizonte…

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jan 26 2005

Flechas sob os Lábios

Finalizei o Andarilho e logo em seguida iniciei a leitura do Herege. O romance tem se mostrado tão viciante quanto as Crônicas de Arthur.
E, a não ser pela presença dos amigos, meu final de semana seria outra lástima. Eu haveria de ficar enfurnado em casa, mofando a minha eterna melancolia. Destaque para a Lia, que se hospedou na minha casa, e a Hyndira que me carregou do nada para Balneário. Foi bom ver a Amanda e a Pajé novamente e o sempre Ferio.
Estou empolgado novamente, apesar de cansado e anestesiado pelo cansaço e pressão baixa. A terça-feira me trouxe feridas nos lábios e algo mais…

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jan 24 2005

Tragado

E eram as ondas a golpeá-lo cada vez mais alto, primeiro na cintura, e então o ventre, por fim o peito. Estava gelada e ele podia sentir os ossos estalando. Os pulmões arfavam com dificuldade, buscando um sopro de vida, de calor que o coração já não fornecia. A água alcançou-lhe o pescoço e os nervos tensos e rijos pareciam corta-lhe a carne.
Não podia gritar. Algo quente e amargo subiu-lhe a garganta, mas escapou para o exterior numa pequena nuvem de vapor pálido. O silêncio tomou conta enquanto ele avançava. Pretendia chegar a outra margem, caminhando. Mas a maré subia e subia, e ele não mais sentia seu corpo, só um movimento ritmíco e dormente.
Aos poucos as luzes do céu estrelado se apagavam e suas pernas pesadas eram sugadas para baixo, para um vazio submarino solitário, sombrio e gélido. Ergueu os olhos para ver a luz leitosa e borrada da lua apagar-se contra a superfície e então uma sombra negra o alcançou. Uma sombra vinda de cima…

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jan 23 2005

Domingo

Ainda que radiante e azulado, ainda que desperte o fulgor e o riso noutros lábios, que alimente as paixões, mesmo as mais singelas, no coração do homem comum; ainda assim é para mim cinzento e lamurioso o domingo em que a tua presença me falta.

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jan 19 2005

Acordando ás 5:30

Esta semana tem sido de muito trabalho: entre acordar ás 5:30 da matina e a hora de dormir eu praticamente só tenho visto computador. Ainda não senti efeitos nocivos… ainda.
Apesar disto eu consegui efetuar a minha matrícula e sou novamente um universitário feliz e com menos dinheiro no bolso. Educação custa caro, sabiam?
E por fim, depois de efetuar a matrícula ainda consegui ir ao shopping rever a minha princesa, minha rainha e vários outros amigos: Daisuke, Ferio, Camila e até mesmo conheci a Lia. Espero que ela não tenha ficado com uma má impressão. Ainda fiquei devendo as flores, e também para a Jéssica e a Hyndira.
Estou tentando ficar próximo do povo todo. Afinal, quando tudo mais falha, os amigos ainda estão lá…

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jan 17 2005

Profund Darkness

A noite caiu, mas não como as noites anteriores;
era verão mas fazia frio, um frio estranho,
e tudo parecia tão distante e difuso…
Uma garra ruim estendeu-se por sob as cobertas,
e com força sufocou meu peito,
trazendo a tona os temores muito profundos.
Eu vi muralhas desmoronando novamente
lâminas se partindo contra o meu peito
e uma queda na escuridão sem fim.
E eu quis reagir, quis gritar e revidar
com minhas próprias garras e presas,
e com fúria…

A escuridão completa só existe no coração do homem.

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jan 13 2005

Sobre o Lobo Acorrentado e sua Dama no Bosque

- outro conto de Ethrü

A noite encobriu o arvoredo, transformando os troncos próximos em meros rascunhos ocultos nas sombras. Tuulikki caminhava descalça sobre a relva, temendo por seus próprios passos, mas resoluta de seu destino.
Ao alcançar um pequena clareira ela parou, buscando no céu o prateado crescente da lua e o brilho lacrimoso das estrelas. Respirou profundamente, tragando o frio do ar noturno. E então ela ouviu um pequeno ruído.
Era metálico, como que uma corrente correndo sobre a relva. Ouve então um tossir solitário, gutural e aterrador que provocou-lhe arrepios. A mata sob seus pés estava gelada e úmida e isto contribuía para a tensão que correu-lhe o corpo, eriçando-lhe os pequenos pêlos sobre os braços nus.
Tuulikki buscou em volta pelo autor do ruído e distinguiu, no lado mais longínquo da clareira, sob a sombra de uma grande árvore, dois pontos vermelho a fitá-la.
Durante a noite os lobos tinham olhos vermelhos, diziam os antigos, e ela sabia ser verdade; pois no norte haviam muitos lobos, e eles se reuniam á volta dos casebres durante o anoitecer.
Ela quis correr, mas seus olhos não puderam desviar-se. Por algum tempo permaneceu parada, até que a sombra latiu. Uma, duas, três vezes. Aproximou-se timidamente a passos curtos enquanto a corrente corria de lado a outro, acompanhando o movimento do lobo.
E era mesmo um lobo, um grande lobo de pêlo cinzento, grosso e comprido. A bocarra aberta arfava, e ele parecia rugir, embora de modo sufocado. Em seu pescoço uma grande argola de ferro engatada a qual estava uma corrente, mais grossa do que o polegar da moça.
O pescoço do monstro parecia machucado pela argola e ele sentia-se incomodado por isto. Ao seu redor, um odor fétido, assim como restos de ossos e grossas camadas de terra pisoteada.
Estendeu a mão para ele e tocou os pêlos em sua fronte. Rapidamente ele se moveu e ela recuou a mão um pouco. Mas não houve dor ou sangue, somente o toque úmido do focinho do animal e seu hálito quente na noite fria. Ele encarou-a com olhos duvidosos, embora isto não amenizasse o terror que inspirava.
A garota enlaçou o focinho do monstro em seus braços e, sentando sobre suas próprias pernas, deitou a cabeça dele sobre o colo. Ao esbarrar contra a argola enferrujada, avistou nela pequeninas letras que formavam o nome “Ulfask”. Só o notou porque a argola gemeu e trincou a seu primeiro toque.
No segundo toque então, a argola se partiu de todo, caindo sobre a relva e colo de Tuulikki. A fera que outrora atormentara três reinos estava novamente a solta…

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jan 11 2005

Se alguém perguntar porque eu gosto…

- Quero minha mulher de volta – disse Thomas, e ficou satisfeito por estar no escuro da catedral, porque seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Eleanor estava morta, o padre Hobbe estava morto e o irmão Collimore estava morto, todos eles esfaqueados e ninguém sabia por quem, embora um dos monges falasse de um homem moreno, um criado que chegara com o padre estrangeiro, e Thomas estava se lembrando do mensageiro que ele tinha visto ao amanhecer, e Eleanor estava viva àquela altura, e eles não tinham discutido. Agora ela estava morta, e a culpa era dele. Dele. A tristeza tomou conta dele, dominou-o e ele expressou o sofrimento num uivo na nave da catedral.

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jan 10 2005

Ainda sobre os Sonhos

Eu lembro bem, sonhando acho, relembrando… os tambores soavam ao longe, tanto quanto as espadas e lanças contra os escudos. Agora eu vejo as faces enevoadas, o pouco que meus sonhos conseguem me mostrar; companheiros de batalha, reunidos lado a lado numa extensa muralha humana. Todos tão nervosos quanto eu, o suor frio escorrendo pelas faces. Porque para todos havia muito a perder.
O toque dela se fez suave em meu ombro e seus lábios foram como o despertar para o pesadelo. Não havia mais dúvidas ou medo. Eu precisava lutar, precisava estar na primeira fila. Porque o medo e o terror não poderiam manchar olhos tão belos.
E, ainda sobre efeito de seu beijo me lancei ao aço e a fúria, girando e golpeando como nunca antes. Lembro da lâmina trincando, o sangue quente em minha face, a dor lacerante em meu flanco. A respiração se foi aos poucos, ardendo, queimando meus pulmões. E eu não vi as lágrimas dela porque tudo ficou sombrio, e muito frio.
Então eu sonhei.

Por muito tempo eu sonhei até que, seus lábios novamente tocaram os meus. A luz penetrou novamente meus olhos, borrada e distocida como óleo sobre a tela. Reconheci primeiro seus olhos e os cabelos que corriam soltos pela minha face e então seus lábios finos e rosados esboçando um sorriso. Não havia mais dor em meus pulmões e eu pensei estar no céu. Eu sabia, só poderia ser o céu.
Mas não era. Eu estava de volta, entre os vivos, para cumprir a promessa de estar sempre a teu lado; enquanto eu pudesse.

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jan 9 2005

Sobre os Falcões do Crepúsculo

A tarde já se vai adiantada, como que derramando sobre a tela celeste todas as cores quentes, do amarelo ao vermelho, o róseo ao laranja. Sobre esta mancha multicolorida uma pequena forma negra desliza suavemente, inebriada na atmosfera do poente.
O falcão do crepúsculo é um mensageiro ágil e audaz, de olhos vivos e reflexos espantosos. Pode voar durante todo um dia, do nascer ao pôr-do-sol sem descanso maior do que planar ao sabor do vento.
Seu peito branco-acinzentado é largo, mesmo para um pássaro de porte tão pequeno, e seu nome provém da coloração castanho-avermelhada das penas de suas costas e cauda. O pescoço é cinzento e umas poucas penas no superior da cabeça apresentam uma tonalidade quase azulada.
É sobre as maiores cidades que, enquanto as lamparinas são acesas, os falcões retornam para casa, descrevendo uma dança silenciosa e rítmica sobre os telhados e praças; pousam sobre os braços de seus adestradores, trazendo notícias dos vales além dos montes distantes.
Na maior parte das vezes as notícias se resumem a pequenos acontecimentos, detalhes a respeito dos vilarejos próximos; mas muitas vezes os falcões do crepúsculo são o primeiro anúncio do terror que se aproxima.

*estes animais fictícios aparencem no conto d’Os Cavaleiros do Reino do Horizonte.

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