Sobre os Falcões do Crepúsculo

A tarde já se vai adiantada, como que derramando sobre a tela celeste todas as cores quentes, do amarelo ao vermelho, o róseo ao laranja. Sobre esta mancha multicolorida uma pequena forma negra desliza suavemente, inebriada na atmosfera do poente.
O falcão do crepúsculo é um mensageiro ágil e audaz, de olhos vivos e reflexos espantosos. Pode voar durante todo um dia, do nascer ao pôr-do-sol sem descanso maior do que planar ao sabor do vento.
Seu peito branco-acinzentado é largo, mesmo para um pássaro de porte tão pequeno, e seu nome provém da coloração castanho-avermelhada das penas de suas costas e cauda. O pescoço é cinzento e umas poucas penas no superior da cabeça apresentam uma tonalidade quase azulada.
É sobre as maiores cidades que, enquanto as lamparinas são acesas, os falcões retornam para casa, descrevendo uma dança silenciosa e rítmica sobre os telhados e praças; pousam sobre os braços de seus adestradores, trazendo notícias dos vales além dos montes distantes.
Na maior parte das vezes as notícias se resumem a pequenos acontecimentos, detalhes a respeito dos vilarejos próximos; mas muitas vezes os falcões do crepúsculo são o primeiro anúncio do terror que se aproxima.

*estes animais fictícios aparencem no conto d’Os Cavaleiros do Reino do Horizonte.


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