jan 10 2005

Ainda sobre os Sonhos

Eu lembro bem, sonhando acho, relembrando… os tambores soavam ao longe, tanto quanto as espadas e lanças contra os escudos. Agora eu vejo as faces enevoadas, o pouco que meus sonhos conseguem me mostrar; companheiros de batalha, reunidos lado a lado numa extensa muralha humana. Todos tão nervosos quanto eu, o suor frio escorrendo pelas faces. Porque para todos havia muito a perder.
O toque dela se fez suave em meu ombro e seus lábios foram como o despertar para o pesadelo. Não havia mais dúvidas ou medo. Eu precisava lutar, precisava estar na primeira fila. Porque o medo e o terror não poderiam manchar olhos tão belos.
E, ainda sobre efeito de seu beijo me lancei ao aço e a fúria, girando e golpeando como nunca antes. Lembro da lâmina trincando, o sangue quente em minha face, a dor lacerante em meu flanco. A respiração se foi aos poucos, ardendo, queimando meus pulmões. E eu não vi as lágrimas dela porque tudo ficou sombrio, e muito frio.
Então eu sonhei.

Por muito tempo eu sonhei até que, seus lábios novamente tocaram os meus. A luz penetrou novamente meus olhos, borrada e distocida como óleo sobre a tela. Reconheci primeiro seus olhos e os cabelos que corriam soltos pela minha face e então seus lábios finos e rosados esboçando um sorriso. Não havia mais dor em meus pulmões e eu pensei estar no céu. Eu sabia, só poderia ser o céu.
Mas não era. Eu estava de volta, entre os vivos, para cumprir a promessa de estar sempre a teu lado; enquanto eu pudesse.

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