mar 30 2005

Costurando Penas

Ajoelhado, em meio as cinzas, sentia o sangue escorrendo, quente e molhado costas abaixo. Sozinho no escuro abraçava as próprias pernas… mas não chorava. Não havia lágrimas para a desgraça de um caído.
Ele ouviu os passos, pouco antes que ela chegasse, apressada. Era pequenina e delicada e parecia atarefada; trazia nos braços uma infinidade de penas. Havia muitas ao redor, e outras tantas espalhadas mundo a fora, mas ela havia colhido a maioria delas; e as costurou, uma a uma, nas costas do caído.
E o sangue fluiu novamente através das veias, e ele esticou as asas, já não tão brancas, mas cobertas por fuligem e cinzas, algumas até mesmo enegrecidas e queimadas. Mas eram asas novamente; asas que ele pensou jamais recuperar.
E a costureira recebeu, em troca, um sorriso desajeitado de alguém já não acostumado a alegria; um sorriso simples e verdadeiro…

› Continue lendo


mar 28 2005

Feriadão

Três dias para descansar, ou nem isto. Eu aproveitei para ver alguns filmes que estava querendo (embora ainda não todos), para conversar com alguns amigos (e outros nem tanto) e para dedicar algum tempo a minha família,… e a minha princesa também.
Fora isto houve RPG e eu caminhei muito de um lado a outro.
Ainda estou devendo um e-mail longo para uma amiga distante; e alguns textos decentes para este blog.
Estou devendo muito ainda…

› Continue lendo


mar 24 2005

Renascimento

Dias atrás eu avistei um riacho de águas douradas. Era uma manhã pouco fria e acinzentada e eu não esperava pela visão. Mas eu acredito que é desta maneira que os recantos mais belos e fantásticos se desvendam aos nossos olhos.
O riacho corria por entre colinas branco-acinzentadas e parecia ser o refúgio de uma infinidade de pequenas ninfas, nixies e pixies e de toda a espécie de fadas e seres de luz.

E naquela manhã de verão, ainda pouco fria e orvalhada, em meio as nuvens eu vi um riacho dourado…

› Continue lendo


mar 15 2005

Via Dolorosa

Pedras pequenas e pontiagudas, cinzentas e amareladas, que ferem aqueles pés descalços; são abençoadas pelo sangue que goteja, lentamente, da face sofrida do rei recém-coroado…

› Continue lendo


mar 14 2005

Dia de Fúria?

Uma mancha negra caminhando sob a chuva na noite de domingo. Os cabelos escorriam por sobre o óculos embaçado e de suas roupas, pouco ainda não se havia encharcado. Seus olhos eram voltados ao solo, e ele observava por sobre as lentes; os dentes cerrados, pensando.
Havia mágoa e ressentimeno agrilhonados ao seu peito, e responsabilidade içada por sobre seus ombros. Ele questiona a si mesmo o porquê. Porque tudo aquilo que queria sob sua guarda era levado prar longe de si; porque não conseguia ser o desejavam dele.
Quisera ser o amigo, e por muito tempo foi dos melhores; quisera ser o cavaleiro, e por isto sempre lutara; quisera ser um anjo, e sua asa lhe fora tomada. Muito ele quisera, e outrora pouco conseguira. E agora se questiona se novamente a roda do destino não lhe joga ao início; lá onde somente haviam cinzas daquilo tudo que ele tocara.
Dentro dele um monstro uivava de dor e revolta, querendo romper os grilhões que o mantinham aprisionado e por pouco ele não o fez. Pois ele sabia que para conter a fúria do monstro, somente sua carne seria alimento. E mais uma vez as presas do monstro deixaram marcas profundas em sua alma.
Mas, no peito da mancha negra sob a chuva surgiu um ponto verde singelo e sem brilho; mas era um ponto verde…

› Continue lendo


mar 11 2005

Uma lápide para Harold

O grande dragão crava sua garra fundo no solo; o negro de suas escamas mesclando-se ao solo úmido e escuro. A segunda garra acompanha a primeira, erguendo largos blocos de lama num monte único.
Por algum tempo ele cava, com força e determinação. Então, subitamente pára e ergue-se sobre o buraco e observa a volta; seus longos olhos amarelados vibrando lentamente até pararem sobre um corpo envolto em linho branco, posto sobre a relva.
Ele alça o corpo lenta e suavemente e o pousa dentro da cova recém aberta. Ele hesita por um momento e então, empurrando a terra sobre a cova cobre o corpo novamente.
Sua garra se ergue ainda uma vez, para cravar um símbolo estranho em seu próprio peito, dentre algumas outras cicatrizes. E a lápide em seu peito sangra…

› Continue lendo


mar 8 2005

Goticismo para Crianças

Neste final de semana consegui finalmente ir ao cinema novamente. Assisti as “Desventuras em Série”. O filme é infantil, mas o que realmente chama a atenção são os detalhes sombrios e góticos no cenário e figurino dos personagens. E esta mistura não é nova, vale lembrar “Beetlejuice” (traduzido como Os Monstros se Divertem) e outros tantos trabalhos do Tim Burton.
E, falando nisto, este ano temos ainda a “Fantástica Fábrica de Chocolate”, que parece seguir uma linha parecida. Goticismo para as crianças?

The Melancholy Death of Oyster Boy and Other Stories

› Continue lendo


mar 7 2005

Sobre o Paraíso

Campos eternamente verdejantes cercam meu pequeno casebre no alto da colina. Existem flores e pequenos cogumelos brancos crescendo na ravina leste, que cruzo diariamente ao me dirigir para baixo.
Lá, longe do conforto e segurança do meu lar há uma guerra. As armas são polidas dia a dia, as hordas avançam continuamente e, por vezes eu mesmo desço a colina para combater.
Mas só o faço quando existe uma meta importante, promessa ou o dever para com um amigo; uma princesa em perigo ou uma família ameaçada pela tirania. Eu ainda desço a colina porque existem aqueles que ainda não conquistaram seu lugar, sua paz e sua vitória.
Somente porque ainda existem aqueles que não possuem um casebre no alto de uma colina…

› Continue lendo


mar 4 2005

Ocultos

Estou um pouco cansado, e existe muita sombra e névoa opaca a minha volta. Pessoas que ainda insistem em julgar, sem procurar saber; cobranças sutis para que eu seja algo que não sou; e olhos atentos para os meus passos. Existe tudo isto. Adagas no escuro e cortes ligeiros. Mas ainda existe um raio de luz confortante e uma cama macia no fim do dia.

Ansioso pela Terra do Nunca

› Continue lendo


mar 4 2005

Resenhas

Peter Pan e Wendy – versão integral
James Matthew Barrie

Um clássico, mas com certeza é muito mais do que isso. Conta a história da pequena Wendy, uma garotinha que ansiava as responsabilidades de uma mulher adulta e a aparição de um garoto fantasioso, o jovem Peter Pan, menino birrento e dono-de-si que não deseja crescer. Junto a seus irmão, aos meninos perdidos, e a minúscula Sininho, Wendy e Peter vivem várias aventuras na Terra do Nunca, desafiando índios, feras e piratas.
O livro surpreende pelos comentário de Barrie sobre a atitude das crianças e a conseqüência que geram no mundo dos adultos. Nisto, muito se assemelhou ao Pequeno Príncipe; mas com a visão invertida: Barrie é um adulto discurssando sobre a psicologia infantil. E nisto ele é ótimo.
Destaco ainda o final do livro, um tanto dramático e surpreendente; que normalmente não é apresentado nas versões resumidas, filmes e peças teatrais; e ainda, a iniciativa da corte britânica de não retirar os direitos autorais sobre a obra decorridos 50 anos da morte do autor. Porque? Barrie doou os direitos, enquanto vivo, a um hospital infantil de Londres.

Zoologia Fantástica
Jorge Luis Borges
Um breve tratado sobre criaturas mitológicas e fantasiosas em geral; é pouco abrangente e bastante vago. O tal do Borges não tem um método muito bom de escrever e tenta compensar isto nas citações de outras fontes, que ele não cita com eficácia. Valeu o conhecimento da mitologia oriental, mas de resto nada além do que eu já conhecia.

› Continue lendo