Dia de Fúria?

Uma mancha negra caminhando sob a chuva na noite de domingo. Os cabelos escorriam por sobre o óculos embaçado e de suas roupas, pouco ainda não se havia encharcado. Seus olhos eram voltados ao solo, e ele observava por sobre as lentes; os dentes cerrados, pensando.
Havia mágoa e ressentimeno agrilhonados ao seu peito, e responsabilidade içada por sobre seus ombros. Ele questiona a si mesmo o porquê. Porque tudo aquilo que queria sob sua guarda era levado prar longe de si; porque não conseguia ser o desejavam dele.
Quisera ser o amigo, e por muito tempo foi dos melhores; quisera ser o cavaleiro, e por isto sempre lutara; quisera ser um anjo, e sua asa lhe fora tomada. Muito ele quisera, e outrora pouco conseguira. E agora se questiona se novamente a roda do destino não lhe joga ao início; lá onde somente haviam cinzas daquilo tudo que ele tocara.
Dentro dele um monstro uivava de dor e revolta, querendo romper os grilhões que o mantinham aprisionado e por pouco ele não o fez. Pois ele sabia que para conter a fúria do monstro, somente sua carne seria alimento. E mais uma vez as presas do monstro deixaram marcas profundas em sua alma.
Mas, no peito da mancha negra sob a chuva surgiu um ponto verde singelo e sem brilho; mas era um ponto verde…


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