O Corvo da Tempestade

inspirado no Ás Inimigo e nos encartes de Top Gun

Amanheceu nevando, e então tivemos que decolar no mau tempo; novamente.

Eu tenho medo de voar nestes dias, não por não confiar no meu ‘Spit’ ou na minha capacidade como piloto; mas eu tenho medo do que o inverno pode trazer. Ouvi relatos dos franceses sobre um Focke-Wulf que voa solitário sobre os céus da Normandia durante os dias de nevasca; e vi mais carcaças e corpos do que aqueles abatidos pelos obuses prussianos.

O Rolls Royce sob a fuselagem estala e geme sob o peso das hélices, mas resiste as investidas do vento e do frio. Abaixo do avião carregamos uma vasta carga de bombas que deve rechaçar as tropas nazistas.

Ao longe vejo as luzes das vilas e lembro minha pequena e bela Lucy a esperar por mim em Chelsea. Minha mente vagueia entre as lembranças de casa e meus companheiros da base. Deixamos uma caixa com nossas unhas recém-cortadas; algo que nossos entes queridos possam enterrar no lugar de nossos corpos, caso não sejam encontrados.

Um calafrio estranho escala minha coluna, mediante a perspectiva de tal acontecimento. Estremeço e quase não percebo quando outro caça se aproxima de minha asa direita. Olho estarrecido para o pequeno avião, um Focke-Wulf de nariz achatado e fuselagem enegrecida. O motor quase não emite ruído, mas é possível ouvir a gargalhada de um piloto inexistente dentro da cabine…


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