Ceifadora

Guarda a morte como quem protege seu tesouro,
numa arca antiga de dobradiças enfurrajada
da qual a chave, uma pequenina chave dourada
que mantém pendurada como pingente junto ao peito.

Teme a vida como quem foge de seu destino,
como quem sabe que é mais profunda a escuridão
as mais profundas trevas da alma humana,
que afogam e sufocam toda a luz e redenção.

Sentada sozinha no topo de uma escarpa,
açoitada pelos ventos constantes da verdade
que não matam, ao invés, ferem e doem como fel.

Seu nome trespassa os séculos e eras imutável
e mesmo que não se possa pronunciá-lo,
os desesperados clamam por seu alento todos os dias.


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