jul 29 2005

Um Lugar para onde Voltar

– As Crônicas de Arda por Sérion

A guerra terminou, Gondor venceu. Em Nurn nada mudou, a terra continua cinzenta e desoladora, coberta pelas nuvens sempre cinzentas pela fuligem da Montanha da Perdição, a grande chaminé do norte. E, todos os dias eu sigo o mesmo ritual: levanto, calço minhas botas e caminho para os campos, para arar a terra ou semear a colheita. Sempre há o suficiente para se comer, e existe espaço para todos mas,…

Nurn é uma terra para os apáticos, onde a razão sobrepuja toda a vontade e o discernimento. Onde somente o opaco e melancólico reina, sob a regência de Sauron ou Elessar. Nurn é parte uma Vastidão Cinzenta, e esta vastidão é o meu lar…

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jul 28 2005

Fim da Jornada

– As Crônicas de Arda por Sérion

Vejo o barco branco partindo para o oeste, lentamente se afastando pelas águas de Lhûn. O sol nem bem nasceu, as lágrimas insistem em rolar dos meus olhos, mas eu estou feliz. Pois a guerra se abateu sobre nós e todo o meu tesouro, tudo aquilo que mais amo está naquele barco, rumando para a tranqüilidade de Valinor.

As gaivotas sobrevoam o porto, clamando pelos últimos noldor a embarcar. Eu, ao contrário, permaneço de pé sobre o cais, fazendo sombra contra as águas. Placas metálicas refletem os raios brilhantes criando padrões cintilantes sobre a água.

No leste, muito longe daqui as forças da paz combatem o Inimigo; e vencem. Ainda assim eu decido pela Terra-Média, pois ainda existe muito a construir e libertar. E eu permaneço na batalha, pois somente há lugar para os elfos no Oeste

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jul 27 2005

Para o Oeste

(re-escrito da música ‘Into The West’, da trilha sonora do filme O Senhor dos Anéis, O Retorno do Rei)

Deite aqui sua cabeça e descanse,
pois a noite está caindo
e você chegou ao fim de sua jornada.

Durma agora,
e sonhe com aqueles que vieram antes de você.
Eles a estão chamando de um porto distante.

Porque chorar?
Que lágrimas são estas na sua face?
Logo você verá
que todas as lágrimas passarão.
Você pode adormecer,
protegida em meus braços.

O que você pode ver no horizonte?
Por quem as gaivotas clamam?
Por sobre o mar uma lua pálida se ergue.
E os barcos chegam, para levá-la para casa.

E tudo vai se transformar em vidro prateado,
uma luz dentro d’água.
Todas as almas rumando.

A esperança desaparece, no sombrio da noite;
através das estrelas que caem,
além da memória e do tempo.

Não diga
que nós agora chegamos ao fim.
Os Portos Brancos estão chamando
e nós nos encontraremos novamente.
E você estará aqui nos meus braços,
só dormindo.

O que você pode ver no horizonte?
Por quem as gaivotas clamam?
Por sobre o mar uma lua pálida se ergue.
E os barcos chegam, para levá-la para casa.

E tudo vai se transformar em vidro prateado,
uma luz dentro d’água.
Todas as almas rumando
para o Oeste.

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jul 25 2005

O Monstro

– Crônicas de Ethrü

Lá debaixo daquele monte, nas cavernas que se extendem pelas entranhas da terra vive um monstro. Eu o vi certa vez, então vocês podem acreditar. Ele era alto, e naquela época isso queria dizer muito mais alto do que eu. Não havia homem que pudesse medir forças com ele; não em seu próprio território.

Eu o encontrei lá, no fundo de uma das cavernas, sentado e com a face enterrada nas mãos. Era magro e possuía as pernas compridas, a pele áspera era marrom e os cabelos lhe caíam compridos e desgrenhados por sobre os ombos. Mas foi sua face o que mais me aterrorizou: possuía uma testa larga e comprida, o nariz grande e torto, e os grandes olhos verdes que faiscavam na escuridão.

Ele se ergueu num salto e correu atrás de mim; mas naquela época eu era pequeno e ágil e ganhei a superfície antes dele. Mal sabia e que ele correria ainda mais rápido fora da opressão das cavernas. Eu podia sentí-lo em meus calcanhares, seu hálito horrível sobre mim; mas então desapareceu.

Ainda hoje não encontro explicações para o fato, mas sobre a colina lancei um último olhar para os montes e pude vê-lo, de pé sobre uma rocha, me fitando solitário

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jul 22 2005

Nota de Falecimento

Tirou o paletó do armário e o provou; ele ainda o caía muito bem. Escovou-o e tornou a vestí-lo, por sobre a camisa cinza e a gravata de cor grafite, que igualava-se a cor do terno. Gostava desta combinação, cinza sobre cinza, tom sobre tom; e era vaidoso nisto.
Rumou para o cemitério que ironicamente ficava próximo a sua casa. Não usava óculos escuros como a maioria, pois já não tinha lágrimas para chorar, e todos pareciam ignorar sua aparente tranqüilidade.
No cinema os dias de funerais eram sempre chuvosos, mas hoje o dia havia amanhecido somente cinzento, com o sol despontando entre as nuvens mais ao leste. Não era um dia especial e o mundo não havia parado para lamentar a perda; a vida seguia lá embaixo, como deveria ser.
Chegou ao túmulo a tempo de vê-los descendo o caixão, lenta e pesadamente até o fundo da cova. Olhou para dentro e, através da pequena janela do esquife pode ver sua própria face uma última vez

– por Jefferson ‘FallenAngel’ Seide Molléri

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jul 19 2005

O Reino do Horizonte

A névoa da manhã aos poucos se dissipa, deixando somente o cinzento do céu acima de mim; e eu me sinto em casa, habitando a Vastidão.
Para todos os lados imensos vales de solo ressecado interrompidos ocasionalmente por um monte rochoso e solitário. Existem as árvores é verdade, porque mesmo aqui elas não deixariam de crescer; bosques de nodosos pinheiros que exibem, variando um pouco da imaginação de cada visitante, um pouco de verde ou marrom.
Mas, tudo o que não é monocromático, é tingido parcialmente em pardo ou num azul estranhamente opaco.
O sol que acaba por surgir, despontando no horizonte, traz uma luz branca e pura, um conforto para os olhos acostumados a ausência de toda a cor. Estranhamente a aurora parece um pouco mais viva, o céu mais azul e o vale mais verde; exatamente onde o sol toca o solo.
Ainda existe horizonte, e é para lá que meus pés se dirigem

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jul 18 2005

Aqueles que Transformam a Minha Vida

Foi um final de semana turbulento; altos e baixos… eu estava preocupado com os lances da internação da minha mãe e os ânimos do pessoal lá de casa e acabei descontando em quem não devia (leia-se Ferio e Julie), mas eles foram pacientes e cuidadosos comigo; me acalmaram e me ergueram nos momentos em que eu mais precisei. Deus sabe o quanto eu devo a estes dois, e outros tantos amigos que não me deixam só na frente de combate.
O Ferio é um amigo de poucos anos, mas que parece me conhecer a vida inteira; já a Juliete é uma princesa como poucas, uma florzinha delicada e de espinhos pequeninos que enche meus olhos de radiância e minha mente de sonhos.
Espero um dia poder retribuir a eles toda esta dedicação

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jul 15 2005

Meras Palavras

(que mostram pouco além de minha própria insignificância)

Eu, que nem sorrir sei,
encontro radiância em teus lábios.
Meus opacos olhos cinzentos
ganham vida no reflexo dos teus.
O coração gélido e inerte
toma pulso ao ritmar do teu.
Toque áspero, movimentos rígidos,
tornam-se suaves na leveza de teus cabelos.
O amargo dos meus lábios
pouco pode contra a doçura do teu beijo.

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jul 14 2005

Internação

Será uma semana triste sem minha mãe; uma semana desprotegido. Parece que minha vida depende inteiramente dela, e por mais que seja mentira, eu sinto como se parte importante de mim estivesse prestes a ser removida cirurgicamente.
Mas eu prefiro uma semana sem ela a uma vida inteira sentido a sua falta.
Não é nada tão grave, mas desejem melhoras a ela, ok?

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jul 13 2005

Ontem

Foram poucos minutos;
conturbados, atribulados, ocupados…
deixaram saudade,
um gostinho amargo da solidão;
mas aqueceram, mesmo que por um instante,
um cavaleiro perturbado

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