Duelo

– um conto de Glenn d’Leene

Então Glenn tomou em suas mãos a espada e o escudo; já havia vestido a longa malha que lhe chegava até os joelhos e uma calça de couro reforçado. Sobre tudo isto um peitoral e ombreiras de aço e uma longa túnica negra, a qual haviam bordado, ás pressas, um dragão prateado. O fio era metálico e reluzente, e espelhou os primeiros raios que escaparam pela fresta da porta que se abria. Era manhã de domingo e o sol já se erguia alto.
Deu um passo a frente e foi ofuscado pela luz vinda de fora. O grito da multidão lhe chegava aos ouvidos como o trovejar de uma tormenta, e causava uma confusão semelhante. Aos poucos tornaram-se escuras as muralhas da arena, as árvores por sobre o muro, o balcão onde se posicionava a corte e enfim, seu oponente. Seus contornos tornavam-se pouco a pouco mais distintos, a túnica leve sobre uma malha semelhante a própria cota de Glenn, a espada estendida. Se não fosse pelo cabelo jogado sobre os olhos e pelo porte um pouco mais baixo, teria pensado ser um reflexo seu.
Mas não era. Hoje Usko era seu oponente; era forte e ágil e além disto destemido, sobretudo era jovem. Glenn já não brandia a espada a anos e estavam despontando em seus cabelos os primeiros cachos acinzentados. Ainda assim ele não temeu; aproximou-se de seu oponente, e com firme resolução estendeu-lhe; não a espada, mas a mão aberta


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