ago 5 2005

em Casa…

Abro a mochila e as lembranças me escapam ligeiras, correndo pelo pátio, por entre a decoração formada pelos cacos de minha própria alma. Grandes farpas de vidro e cristal barato espalhados por toda a extensão de meu domínio,… de meu ser.
Eu corro atrás delas, tentando inutilmente evitar que se machuquem contra as lâminas afiadas que se projetam do solo e das paredes. Consigo, a muito custo, salvar a maioria delas, jogando-me contra estas farpas numa tentativa suicída de preservar minhas memórias saudáveis. Algumas voltam arranhadas, mas nenhuma delas realmente ferida.
Eu, ao contrário, abraço com fervor minha própria destruição; alegre de certa forma, por preservar todas as lembranças tão amadas

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