Fenris

Estendeu para mim sua mão, calejada do trabalho, uma mão nobre, de um homem correto, integro, honrado. E eu a agarrei, porque precisava de ajuda para me erguer e galgar as escarpas rumo a superfície, o que era difícil e penoso. A mão amiga era tudo que eu tinha.

Agarrado com força eu a machuquei, senti o gosto do sangue descendo por entre as presas, era quente, suave e amargo. E ele sentiu a dor por aproximar-se a um monstro imundo e cruel. Assim eu era.

Assim que meus olhos avistaram os campos a volta senti o peso da confiança nos grilhões frios que me ataram ao pescoço. Numa corrente em aço enegrecido me prenderam, a uma grande rocha me ataram; de modo a vislumbrar toda a beleza da vida ao meu redor, tendo somente a rocha árida por lar.

E eu era assim, um monstro imundo e cruel, um Fenris agrilhoado…


Deixar uma Resposta