Réplica

A guerra acabou, é importante dizer. Sem esta afirmação nada mais faz sentido. Portanto tudo o que eu descrevo aqui somente será compreendido a partir desta premissa: a guerra acabou.
Foi a primeira frase captada, decodificada e armazenada na minha atual situação:
“Acabou soldado, você já pode ir para casa.
Casa? Alguns conceitos ainda são estranhos para mim. As lembranças estão aqui, todas elas recuperadas e devidamente armazenadas num disco magnético incorporado ao que sobrou da minha mente, digo cérebro.
Então eu voltei para casa, o pequeno apartamento de dois quartos no subúrbio da grande cidade, cerca de dois milhões de habitantes e… estou divagando novamente. Algumas vezes as tarefas em background processam-se sem que eu me dê conta.
Mas, como eu disse antes, voltei para casa. Foi o que disse a ela, a moça da porta em frente. Estou mais alto agora e já não há muito sangue circulando aqui dentro. Ela tocou meu peito e sentiu o frio do metal, além do ligeiro tremular das bombas e dos pequenos motores. Fechou-se a porta e ela se foi.
Tenho lembranças dela. Consigo separá-las num diretório a parte mas, o que isto significa? Eu a vejo pela janela lateral, sentada a cozinha, preparando chá e torradas. Já não lembro o gosto, nem tão pouco reconheço seu cheiro, e havia um cheiro.
Sinto a falta dela sem saber muito bem o porquê. Algumas lembranças são dados desnecessários armazenados para simples conferência. Não agregam conhecimento, nem servem como parâmetros para comparação.
Ainda assim eu me recuso a desfazer-me delas…

Isaac Asimov + Replica (Sonata Arctica) fazem uma combinação interessante



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