Ai de Mim

Torno aos campos desolados, aqueles onde outrora inúmeros embates foram travados. Os campos de minhas memórias. As piras se extinguiram há muito, mas ainda restam as cinzas e os ossos descobertos pelo vento traiçoeiro, este mesmo vento que me açoita o rosto com areia e pó, vestígios de meus algozes, herança de meus companheiros.
Uma espada quebrada deixei nalgum lugar, junto as piras talvez. Fora levada, saqueada, como tudo mais que pertencera aos caídos. Seus túmulos profanados são cuspidos do ventre da terra, exibindo carcaças repletas de histórias que nunca mais serão contadas.
Ai de mim, que sobrevivi a queda; e agora volto aos campos, como filho pródigo que retorna ao lar. Ai de mim, por ter sofrido nestes campos a derrota e a morte, e ter-me negado a descansar.


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