Damas da Saudade II
Amanda é uma rainha; ela me critica pelos meus defeitos e raramente me elogia pelas qualidades, mas quando o faz é de uma maneira tal que eu não posso sequer negar. Ela canta (e encanta) quando canta clássicos doces e infantis da Disney e aquelas canções que sabe, instintivamente, representarem muito para mim. Ela se preocupa comigo e isso é estranho, porque deveria ser eu a cuidar dela, não contrário. Espero que ela encontre seu caminho, embora saiba que este possivelmente irá levá-la para longe
Damas da Saudade I
Flávia é doce e meiga, gentil como a brisa da manhã de inverno. Ela está de viagem marcada para a Alemanha. Vai passar lá um ano inteiro. Flávia leva consigo uma amizade recém conquistada com afinco e dedicação. Mas deixa, entre tantas lembranças boas, um sorriso lindo e descompromissado; e saudades, muitas saudades
Passou
Um pouco mais alta, ou altiva… ou será que eu a lembro criança demais? Inocente demais? Tímida?
Simplesmente passou e eu não acenei, não procurei, mas percebi… que seus ombros estão mais altos, seus olhos mais cruéis.
Eu porque me importo? As velhas mentiras ainda vivem talvez
Relembrando…
menina refosco @ 6:05PM | 2004-05-14
é… aham.
Ternurinhas pra vc… a chuva é tão linda né?
PS: adoro essa garota
Furto
Dos outros roubo a alegria,
de seus sorrisos minha satisfação,
orgulho, instantânea felicidade.
Furto sem ser rude,
com a sutileza de um cortesão
abocanho o que posso e fujo.
Corro para longe destes,
para que não me descubra
sorvendo-as como se fossem minhas.
As minhas, estas sim,
todas outrora devoradas,
queimadas ou despedaçadas
O Sorriso mais Lindo
Hoje o céu ganhou um sorriso,
quando lembrei que aos 25
metade da vida já se passou
embora para alguns sequer chegou.
Ganhou um sorriso porque lembrei
que lá no alto voam as lembranças
da menina de sorriso lindo
que tornou meu mundo mais choroso
Cortinas
As cortinas me lembram a saudade
ou seria a saudade lembrada das cortinas,
balançando ao vento sobre a minha cabeça
quando a mãe esquece de fechar-me as janelas.
As vezes ela entra furtiva no meu quarto,
e eu peço para que as deixe abertas
pois gosto de ver as estrelas despontando
por entre as cortinas sopradas ao sabor do vento.
As vezes não há vento, permanecem paradas
ocultam teu rosto, isolam teu quarto,
sombras inertes da minha saudade.
Um dia fecharão-se as janela da alma,
impedirão as pestanas teus olhos de brilhar
e velarei por ti soprando longe as cortinas
Coletor de Lembranças
Andar sozinho sempre o fez parecer mais alto, mais do que já era. O coletor vestia um sobretudo comprido e cinzento, uma camisa social bastante amarrotada e um chapéu de abas largas, por baixo do qual escondia-se uma feição rígida e respeitosa. Algumas vezes atravessava a rua sem motivo ou parecia conversar sozinho, pois conhecia as fadas, e isto transparecia em seu olhar, que observava muito além do nosso mundo, das nossas muralhas e outdoors.
Mas isto era tudo que podíamos perceber. Ele era um caçador, desbravou o mundo em busca de lembranças perdidas, de memórias negadas que, depois de recuperadas bailavam e saltavam aos céus pés, pequenas nuvens luminosas que mais pareciam ovelhas felpudas conduzidas por seu pastor. Uma bengala faria dele um perfeito gentleman e pareceria um condutor ainda mais fiel.
Mas as lembranças infantes são emotivas, gargalhavam e choravam por pouco e o coletor protegia as medrosas sob seu sobretudo e repreendia as mais exaltadas. Algumas delas são macias e doces, outras são geladas e arranham com garras e esporas e ele guardava-as todas consigo. São suas lembranças, pequenos pedaços de uma vida que lhe foram retirados, despedaçados.
O coletor já foi uma pessoa diferente, embora não saiba como. Ele espera, um dia, poder saber