ago 31 2006

Pro resto da vida

“conseguiu inimizade pro resto da vida”

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ago 30 2006

A travessia do Styx

Todos os dias tomo o barco do Styx entre os olhares curiosos, desconfiados; o barqueiro pouco se importa desde que eu lhe entregue uma moeda de prata, o que não é muito fácil de encontrar. Esgueiro-me por dentre os leitos no início da noite, busco os recém falecidos e, sob suas línguas furto-lhes as moedas. A cada noite um furto, a cada noite uma moeda.
Corro para a barca então, receoso de perder a travessia, mas o barqueiro ainda está lá, aguardando. Empurra lentamente o leme contra as águas caudalosas e cinzentas do Styx, que furioso, jorra espuma e gelo por sobre o convés. Mas pouco importa, aos mortos porque já não sentem, a mim porque me basta o anseio pela margem oposta.
Passo a noite junto dos meus ancestrais, dos caríssimos que outrora se foram mas sobretudo, junto a mim mesmo. Descubro-me como eles, desprovido dos sentimentos e anseios pela vida, repleto da razão e consciência do sono e da morte.
Mas a manhã chega, e o barqueiro faz o caminho de volta. Ficam todos, exceto eu, que preciso voltar sozinho aos braços sufocantes da vida, do outro lado do rio Styx

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ago 24 2006

Continuar

Então vou continuar existindo por essas pessoas, que essa estória aqui continue sofrendo =) Obrigada por não me ignorar.

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ago 18 2006

Amarguras que Semeamos

Deixo os portões, subo as colinas e volto aos campos que semeamos, os campos que deixamos. As heras cresceram sem controle, tomaram o pomar e a pequena murada e, ainda assim os frutos nasceram, grandes e vistosos. Busco no casebre uma foice pequena e um cesto e me ponho a caminhar por entre as árvores, colhendo o quanto posso. Em pouco tempo a cesta está repleta de grandes frutos de pálida cor amarela e um gosto suavemente azedo. Tomo todos comigo e faço meu caminho de volta para casa, levando todas as amarguras que semeamos

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ago 15 2006

Aquele inverno

Confiro meus e-mails enquanto tomo uma xícara de café na mesa da cozinha. Não há ninguém mais acordado em casa e eu sinto falta do frio das manhãs de inverno; daquele inverno que não volta mais, daquele que ocultava flores brancas sob sobretudos negros

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ago 9 2006

O Monstro Agrilhoado

- Crônicas de Ethrü
Há três dias percorríamos os campos do norte em busca dos sinais do lobo, quando finalmente o encurralamos numa clareira. Parecia cansado ou tinha sono, Jarl não sabia ao certo, mas foi o primeiro a vê-lo, a grande massa de pêlos cinzentos caída por sobre a relva. Nos aproximamos cautelosos, mas não o suficiente, pois o monstro nos farejou. Ergueu-se de um salto exibindo suas grandes presas.
A astúcia em seus olhos denunciou que nos esperava. Ele confiava demais em sua fúria. Ele rugia ameaçadoramente e tentava nos amedrontar. Confiei minhas costas a Jarl e saquei a espada a tempo de tê-lo saltando sobre mim. O golpe foi rápido, ligeiro demais para que meu amigo disparasse uma flecha. A bocarra do monstro já envolvia meu braço esquerdo enquanto eu inutilmente tentava estoca-lhe a espada no pescoço. Arranhei-o algumas vezes, mas isto só parecia incitá-lo ainda mais.
E então, num movimento súbito ergui-o sobre mim e foi então que a flecha o acertou. Jarl disparou precisamente em seu peito ferindo-lhe no coração. Mas a criatura não caiu, ao contrário, ergueu-se novamente arfante e voltando-se para o lado contrário disparou por entre as árvores.
Ergui-me para acompanhá-lo, mas o elfo deteu-me pelo braço.
- Sete anos, Glenn; por sete anos aquela seta irá torturá-lo em seu peito. E ao final do sétimo ano ele morrerá, se não houver um toque suave o suficiente para arrancá-la dali.
Eu realmente odiava profecias ou maldições, mas especialmente as élficas, pois vinham carregada de verdade além do próprio entendimento. Então eu esperaria, por sete anos, pela morte ou pela liberdade

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ago 2 2006

Damas da Saudade III

Daniela já nasceu longe, tão longe quanto uma estrela na abóbada acima, e tão brilhante quanto qualquer uma destas. Dani me cingiu com asas de um anjo e me amparou no colo suave de uma irmã mais velha. Eu sinto sua falta cada dia mais, pois dos pedaços distantes de meu coração ela é aquele o qual mais raramente posso tocar. Seu nome significa boas lembranças junto as árvores élficas, saudades eternas, e um clamor inexplicável pelo oeste. Daniela se esforça para ser uma ótima artista e uma critica ainda melhor, mas na minha opinião, não há cargo que ela seja mais bem-sucedida do que como amiga

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