O Monstro Agrilhoado
- Crônicas de Ethrü
Há três dias percorríamos os campos do norte em busca dos sinais do lobo, quando finalmente o encurralamos numa clareira. Parecia cansado ou tinha sono, Jarl não sabia ao certo, mas foi o primeiro a vê-lo, a grande massa de pêlos cinzentos caída por sobre a relva. Nos aproximamos cautelosos, mas não o suficiente, pois o monstro nos farejou. Ergueu-se de um salto exibindo suas grandes presas.
A astúcia em seus olhos denunciou que nos esperava. Ele confiava demais em sua fúria. Ele rugia ameaçadoramente e tentava nos amedrontar. Confiei minhas costas a Jarl e saquei a espada a tempo de tê-lo saltando sobre mim. O golpe foi rápido, ligeiro demais para que meu amigo disparasse uma flecha. A bocarra do monstro já envolvia meu braço esquerdo enquanto eu inutilmente tentava estoca-lhe a espada no pescoço. Arranhei-o algumas vezes, mas isto só parecia incitá-lo ainda mais.
E então, num movimento súbito ergui-o sobre mim e foi então que a flecha o acertou. Jarl disparou precisamente em seu peito ferindo-lhe no coração. Mas a criatura não caiu, ao contrário, ergueu-se novamente arfante e voltando-se para o lado contrário disparou por entre as árvores.
Ergui-me para acompanhá-lo, mas o elfo deteu-me pelo braço.
- Sete anos, Glenn; por sete anos aquela seta irá torturá-lo em seu peito. E ao final do sétimo ano ele morrerá, se não houver um toque suave o suficiente para arrancá-la dali.
Eu realmente odiava profecias ou maldições, mas especialmente as élficas, pois vinham carregada de verdade além do próprio entendimento. Então eu esperaria, por sete anos, pela morte ou pela liberdade