Monstro

Monstro. Farpas, couraça e ferrão. Negro como a noite, maligno como o inferno. Teu veneno e tua amargura distorcem os sentidos, causam ânsia, nojo e ódio. Ódio; és senhor do ódio, do rancor, da mágoa.
Monstro. Por nasceres escorpião, por cresceres com a espada em punho.
Tortura, pois quando te vêem correm a cutucar-se, arrancar-te os membros, por seres vil, cruel e maligno. Monstro.
Tratam-te com a acidez, porque nada perfura tua couraça, sentimento algum nasce de tuas entranhas, humildade alguma encontra-se em teu peito. Ao contrário, és mestre da mágoa, e a provocas a bel prazer. Porque te rejubilas com a dor, cabelos soltos a chicotear-te o rosto, num banco de praça qualquer.
Assim vivem dentre os monstros, os insetos. Aracnídeo. Banidos e enojados, tramando solitários, entre lágrimas o próximo ato de ódio. Remoendo, em seu íntimo, as palavras nunca esquecidas: “nunca te perdoarei”…


Deixar uma Resposta