Conclusão

Deram muito trabalho, e roubaram uns tantos sorrisos, muitos dos quais desprevenidos, verdadeiros

Deram muito trabalho, e roubaram uns tantos sorrisos, muitos dos quais desprevenidos, verdadeiros
Pulou a cerca e roubou minhas mudas recém plantadas;
Levou-as para casa e plantou em seu próprio quintal;
Regou e cultivou-as com afinco e dedicação;
Hoje colhe os frutos maduros e me devolve;
Arremessa-os contra mim com um sorriso nos lábios
Acordei cantando latim, recordei a música e deixei tocando no trabalho:
Dominus Deus
exaudi nos et misrere
exaudi, Dominus
Dona nobis pacem
et salva nos a hostibus
Salva nos, Deus
Dominus exaudi nos
Dominus misrere
Dona nobis pacem
Sanctus, Gloria
dona nobis pacem
e dona eis requiem
inter ovas locum
voca me cum benedictis
pie jesu domine, dona eis requiem
dominus deus, Sanctus, Gloria
Inicia-se portanto o reinado do escorpião, e eu me sagro guerreiro e mercenário, repleto das farpas e mágoas, das garras e lágrimas, presas e veneno. O veneno, destilado de nosso próprio sangue, cruel, vil e maldito. E eu comemoro, sorrindo, ao receber as graças negras do corruptor, inebriado em álcool e coberto em ninfas.
Tal qual Álvaro de Campos, busco no oriente meu ópio, a cura para as comédias da minh’alma
um soneto pelos mortos
Pedra branca e reluzente,
estampa fria, flâmula amarga
que recobres os mais alvos ossos
em silenciosa solidão.
Tua face se confunde
dentre outras lápides que permeia
o campo esquecido da morte
coberto pelas cinzas do tempo.
Mas não eterno é teu lamento
pois de teu próprio sangue surgiria a doçura,
a gratidão e a honra.
Expressa em pétalas amarelas
que irradiam tal qual o sol sobre nuvens branca
delicada luminescência em reconhecimento.
- relembrado hoje por conta de uma pessoa muito especial que partiu; a gente nunca se conheceu muito bem mas sei que a outros ela vai fazer muita falta, como as flores amarelas ou o cheiro salgado do mar
em resposta a 27/10/2004
Novamente,
o reflexo distorcido mostra o que não desejo,
a armadura negra, farpas e sangue que não é meu.
Novamente,
elos e lâminas torcidos e partidos,
insígnias enferrujadas, tesouros perdidos.
Novamente,
deixo sobre o solo minha cota argêntea e opaca,
a túnica manchada, visto minha única capa negra.
Novamente,
pulsos e garganta marcados pelos grilhões
que aprisionam minha’lma,
distante de tudo aquilo que me é caro.
Eu continuo caindo, ele gargalhando.
E o som de suas risada
me parecem pessoas se afogando
em seu próprio sangue,
em sua dor individual,
diferente desta que escrevo
ou da outra que eu sinto.
Eu continuo caindo, e ele gargalhando