Meu Anjo da Guarda

Finco no chão minha lança, e coloco a mochila em apoio contra as rochas. Não faz frio o suficiente para que eu precise acender uma fogueira, e eu prefiro assim. Outra noite no exílio e eu ainda não me acostumo aos ruídos. Passos que me seguem rastejados, tentando ocultar, disfarçar sua intenção. É meu anjo da guarda que me segue, me protege…

Certa vez abri sua garganta com uma faca, fundo o suficiente para que a ponta da lâmina raspasse em sua coluna. Ainda assim ele continua a me perseguir, buscando vingança talvez, motivado por rancor ou uma estranha gratidão.

Não permite que as pessoas se aproximem, durante a noite ele se esgueira a minha volta, surpreende os incautos e os sufoca com mãos fortes. Me guarda, tortura meus sentidos, testa minhas virtudes, corrompe meus atos. Devo permanecer distante de tudo, alheio num mundo somente nosso, meu e de meu guardião.

Era belo no início, o brilho que refulgia nas profundezas de seu olhar, mas a paixão, a obsessão transformaram-no num monstro, o qual corajoso tentei eliminar. Desde então me persegue, me assombra, mas contra mim nada faz, a não ser observar com deleite a minha fragilidade.

E novamente amanhã, encontrarei as manchas de sangue da ferida que nunca cura no pescoço do meu anjo da guarda…

 


2 Respostas para “Meu Anjo da Guarda”

Deixar uma Resposta