out
10
2006
Ontem meu MSN deu pau
e a ressaca trouxe de volta para a areia
a garrafa lacrada que eu deixei no mar.
Ontem meu MSN ficou louco
e a borrasca tinha gosto salgado
e me derrubou sozinho na praia.
Ontem meu MSN travou
e as nuvens cinzentas e castanhas
liberaram por um instante um facho de luz.
Ontem meu MSN pirou
atingiu em cheio os meus olhos,
mãos e boca com gosto do litoral
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nenhum comentário | em versos
out
6
2006
A cozinha tem três janelas, das quais uma delas, a maior, por ser mais pesada quando fechada isolaria facilmente o ambiente. As outras, basculantes, deveriam ser calçadas assim como as frestas da porta, com panos úmidos ou fita isolante. Obviamente o buraco da fechadura teria fim semelhante.
O botijão de gás fica dentro da cozinha, o que torna a tarefa mais segura. Abriria as quatro bocas do fogão e me recostaria numa cadeira. Umas três garrafas de cerveja ajudariam a passar o tempo, e entorpeceriam meus sentidos parcamente, o que afastaria meus pensamentos do fogão. Na verdade, creio que já estariam bastante longe.
Estariam, ou estarão
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nenhum comentário | em pensamento, prosa
out
5
2006
Finco no chão minha lança, e coloco a mochila em apoio contra as rochas. Não faz frio o suficiente para que eu precise acender uma fogueira, e eu prefiro assim. Outra noite no exílio e eu ainda não me acostumo aos ruídos. Passos que me seguem rastejados, tentando ocultar, disfarçar sua intenção. É meu anjo da guarda que me segue, me protege.
Certa vez abri sua garganta com uma faca, fundo o suficiente para que a ponta da lâmina raspasse em sua coluna. Ainda assim ele continua a me perseguir, buscando vingança talvez, motivado por rancor ou uma estranha gratidão.
Não permite que as pessoas se aproximem, durante a noite ele se esgueira a minha volta, surpreende os incautos e os sufoca com mãos fortes. Me guarda, tortura meus sentidos, testa minhas virtudes, corrompe meus atos. Devo permanecer distante de tudo, alheio num mundo somente nosso, meu e de meu guardião.
Era belo no início, o brilho que refulgia nas profundezas de seu olhar, mas a paixão, a obsessão transformaram-no num monstro, o qual corajoso tentei eliminar. Desde então me persegue, me assombra, mas contra mim nada faz, a não ser observar com deleite a minha fragilidade.
E novamente amanhã, encontrarei as manchas de sangue da ferida que nunca cura no pescoço do meu anjo da guarda…
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1 comentário | tags: anjo | em prosa