Quanto aos Poetas

Os tais dos poetas, como eu os invejo. Porque sabem escrever, expressar, declarar. Muitas vezes são incompreendidos e injustamente criticados, mas os admiro pois, no sentimento da injúria, enchem-se de todo o orgulho e escrevem, e expressam, e declaram.
Mas você pensa que a vida dos poetas é feita de livros e penas? Não, se assim fosse seria eu um poeta. A vida dos poetas é feita de vinho, sangue e amor; pois na boemia se perdem, e em contendas se destroem mas são os lábios proibidos, eterno carrasco de suas existências.
Nem por isto deixam os poetas de viver, agarram-se as volúpias dos beijos e do toque carnal, desfalecem por fim em lágrimas e quando tudo parece eternamente condenado, recomeçam. Não por banalidade, mas porque este amor que outrora tinham alcançou a imortalidade e esta virtude deve então ser passada a outros lábios, a outra pele, corações e alma.
Assim são os poetas os quais me refiro, seres corruptos, sofredores e viventes. Que em todas as dores tomam a vida por sua conquista.

Eu ao invés os invejo, pois amo somente a morte, com a fria razão de saber que pouco escrevo, expresso, declaro



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