mar 29 2007

Ofélia

Ela estica as garras e alcança o céu,
rasga o firmamento sem esforço
e faz vazar leite das estrelas
que cascateiam por seus cabelos
tingindo de argêntea sua tez
legando uma cicatriz leitosa,
evidenciando os seus castanhos
com o radiar distante de Sadalsud

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mar 15 2007

Ás Vezes

Carlota Joaquina ás vezes aparece
e me faz sorrir sem motivo algum
quando meus olhos repousam sobre ela
qualquer dúvida ou mágoa desaparece

Pouco caso faz de mim doce Carlota
em seus olhos vislumbro desprezo
embora altiva em seu pedestal minha dama
não encontre alma mais devota

Ás vezes Carlota tem outro nome,
outros olhos, lábios e outra voz
mas surge sempre da mesma maneira
com cheiro de canela e olhos de betume

Veste costuras finas repletas de renda
um espartilho negro embora eu creia
que vestida em veludo roxo e anágua
a beleza secreta se desvenda

Em suas mãos, flores de esperança
que Carlota colhe ávida dos corações
como o meu, pouco afortunado
que a tem viva, somente em lembrança

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mar 12 2007

Três Vezes

Três vezes, três vezes amaldiçoado
pela ira, pelo rancor e pela mágoa
imprime no ar o sorriso saudoso
em lábios que não são teus.

Dorme em meu peito o veneno mortal
que guia uma pós-vida miserável
da qual aguardo, segundo sábias vozes
o elixir curativo da fênix.

Qual elixir poderia restaurar-me as carnes,
a vontade e a força outrora existente
no cerne de um coração verdadeiro?

Torna-te puro e íntegro,
e ganharás por três vezes o sorriso
amargo e melancólico da infelicidade.

Falta criatividade ou dedicação ainda. Falta sentimento. Mas talvez, para que ele floresça em outras pradarias deva apodrecer por aqui, portanto tentarei mais uma vez cavar dentre os restos o adubo para um novo florescer. Trago as sementes do ópio comigo

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mar 12 2007

About sadness

Happiness in intelligent people is the rarest thing I know.
- Ernest Hemingway

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mar 5 2007

Sentido

Está chovendo um bocado aqui dentro e isto lava e carrega muita coisa. Uma água preta e suja escorre. O problema é que cada vez escorre mais.
Mas eu tenho a certeza que assim, pouco a pouco, um dia tudo será limpo, toda aquela craca acumulada por anos e que tornou parte de minha armadura.
E eu não sei se quero que chova, mas é preciso, como é preciso que eu volte a escrever e que finalmente um dia eu reencontre a esperança, noutros olhos, noutro sorriso, talvez mais infante, talvez com outro sentido. Dar sentido a alguma coisa

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mar 2 2007

There’s no regrets

Odeio as suposições que mesmo faço, e as peças que a minha mente me prega. Imaginar, fantasiar, é muito bonito… a realidade não permite isso. There’s no regrets

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