Sorrisos para Ela
Evitar pensar na morte parece ser o suficiente para evitá-la. É um pensamento comum nestes tempos. Não pense, não fale Nela, valha me Deus! Até prece que ela é atraída pelo simples mencionar de seu nome.
Eu simplesmente não consigo compreender. Desde que me recordo, penso todos os dias na morte. Posso dizer mesmo que certas vezes a desejei e noutras a temi.
Mórbido, será?
Pensar no início de uma vida, uma ocasião tão celebrada e querida; e não atribuir-lhe o fim é como desejar as estrelas sem clamar pela noite. A vida é um meio, um ínterim, tantas vezes tão sofrido e tão amargo. E ainda existem estes que se esforçam por convencer-se de que a vida, o momento, são tudo o que têm.
Considerando o fato de que estou vivo, parece-me natural o conceito da morte. É como um complemento, que além de necessário, mantém todas as coisas arrumadas em seus devidos lugares. Não ousaria me recriminar por pensar Nela. Ao contrário, fico satisfeito em saber que o faço sem temores ou culpa, e freqüentemente sorrindo.